Pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Miguel Coelho minimizou o impasse interno na federação com o também pré-candidato ao senado Eduardo da Fonte e jogou a responsabilidade de montar a chapa majoritária para a governadora Raquel Lira (PSDB), tirando o peso dos partidos da base. Em entrevista aos jornalistas Márcio Didier e Ricardo Dantas Barreto no podcast Dose Dupla, ele também bateu na tecla de que a nacionalização da disputa não vai colar no estado, defendendo que o debate local deve prevalecer sobre a polarização nacional.
Ao analisar o fogo cruzado entre o seu partido e o PP pelas duas vagas na chapa, ele deu de ombros para as reuniões e deliberações internas das siglas. Para Miguel, esses encontros são mero simbolismo sem valor prático, porque a caneta final pertence ao Executivo. “Quem lidera esse processo é a governadora. Quem monta a chapa não é partido, é a governadora. Então, de novo, essa é uma decisão que cabe única e exclusivamente a Raquel”, disparou, cobrando respeito à liturgia do cargo e chamando de prepotência qualquer tentativa dos partidos de imporem nomes à revelia dela.
Seguindo essa linha de independência local, o ex-prefeito argumentou que a polarização nacional entre Lula e a direita terá pouca força para decidir o voto do pernambucano. Para ele, quem tenta transformar a eleição estadual em um espelho de Brasília quer apenas criar uma cortina de fumaça para esconder a falta de propostas e as falhas de gestão. Miguel defendeu que o eleitor do estado é exigente e busca quem tem luz própria, rejeitando o que chamou de “candidato bengala” — aquele que precisa de andor político ou do suporte de um padrinho forte para conseguir se viabilizar.
Miguel elogia gestão Raquel
Mas a conversa não ficou só na estratégia de bastidor. Miguel aproveitou o microfone do Dose Dupla para passar a limpo a gestão estadual e defender suas bandeiras. Ele elogiou os avanços de Raquel Lira na segurança e na economia, mas lembrou que já fez críticas públicas cobrando o fim do rodízio de água da Compesa e a construção de hospitais regionais. Mostrando intimidade com os números, explicou que, com um orçamento livre de menos de R$ 2 bilhões para investimentos, o governo estadual precisa ser pragmático e captar recursos em Brasília, independentemente de quem esteja na presidência, para dar conta de obras gigantes como a Transnordestina.
De olho em uma cadeira no Senado, Miguel também adiantou pautas polêmicas e de forte tom reformista. Defendeu abertamente a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos, criticando as audiências de custódia que soltam criminosos com fichas extensas. No bolso do cidadão, cobrou uma reforma tributária que diminua impostos e uma reforma administrativa com metas para os servidores públicos, defendendo que a estabilidade não pode virar blindagem para a incompetência.
O pré-candidato também sugeriu o uso de inteligência artificial para cortar o Bolsa Família de quem gasta o benefício com apostas online (bets) e se mostrou aberto a discutir a flexibilização da jornada de trabalho para melhorar a saúde mental do trabalhador, contanto que o comércio e as empresas não saiam prejudicados.
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