Humberto projeta eleições 2026, analisa gestão Raquel e defende fim da reeleição

Senador Humberto costa detalha aliança entre PT e PSB, comenta Transnordestina, critica modelo de emendas parlamentares e apoia mudanças trabalhistas (1)

Garantir a base necessária para que o então prefeito do Recife, João Campos (PSB), pudesse deixar o cargo para disputar o governo do Estado. Ao participar do Podcast Dose Dupla, o senador Humberto Costa (PT-PE) falou sobre as articulações local e nacional para as eleições de outubro. O parlamentar, que buscará a reeleição, detalhou a consolidação da chapa encabeçada por João Campos, avaliou a gestão de Raquel Lyra em Pernambuco, comentou os gargalos de infraestrutura no estado e defendeu reformas estruturais profundas no funcionamento do Legislativo e nas leis trabalhistas.

Humberto explicou que a definição precoce da chapa — que terá João Campos na disputa pelo governo, Carlos Costa na vice, e o próprio Humberto ao lado de Marília Arraes concorrendo ao Senado — foi uma estratégia necessária para dar segurança jurídica e política ao ex-prefeito do Recife no processo de desincompatibilização do cargo.

A aliança entre as duas legendas, segundo o senador, reflete um alinhamento nacional estratégico. O PSB garantiu apoio e palanques robustos para o presidente Lula em mais de 11 estados e manteve a parceria com Geraldo Alckmin na vice-presidência, o que consolidou o apoio do PT à postulação de João Campos em Pernambuco.

Ao avaliar a gestão da governadora Raquel Lyra, Humberto adotou uma postura de equilíbrio, reconhecendo que o governo estadual tem méritos em áreas como infraestrutura viária e abastecimento de água. No entanto, o petista foi enfático ao pontuar que a maior parte das grandes entregas no estado é fruto de volumosos investimentos do governo federal. Apesar do tom cortês com a governadora, Humberto reafirmou o posicionamento político de sua legenda: “O PT só tem um palanque, e ele está com João Campos”.

Humberto e a Transnordestina

Provocado sobre o mal-estar que envolveu os anúncios recentes das obras da ferrovia Transnordestina, no trecho Salgueiro-Suape, Humberto minimizou os ruídos institucionais e explicou a razão técnica do travamento. De acordo com o senador, a ordem de serviço e a assinatura contratual sofreram atrasos por conta de exigências do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os relatórios de viabilidade econômica e impacto ambiental.

O senador classificou a cobrança do TCU como “equivocada”, sob o argumento de que a Sudene já dispõe de estudos consolidados comprovando a viabilidade do projeto. Ele garantiu que os novos relatórios serão entregues ao tribunal nos próximos dias e demonstrou otimismo de que as obras comecem ainda este ano, prometendo agendas com a presença do presidente Lula a cada avanço da ferrovia.

Demonstrando alinhamento com pautas de renovação política, Humberto Costa defendeu o fim da reeleição para cargos do Executivo e uma mudança drástica para o Senado: a redução dos mandatos dos atuais 8 anos para 5 anos. “Os 8 anos terminam promovendo um certo distanciamento entre o senador e as suas bases”, justificou, acrescentando que apoia também a imposição de limites para mandatos consecutivos de deputados e vereadores.

A crítica mais severa do parlamentar, no entanto, foi direcionada ao atual modelo de distribuição de emendas parlamentares no Congresso Nacional. Humberto afirmou ser categoricamente contra o formato vigente por entender que ele desorganiza o planejamento dos ministérios e pulveriza o orçamento sem critérios técnicos, gerando distorções em que municípios vizinhos vivem realidades de extrema desigualdade de recursos.

Apesar do posicionamento contrário, ele ponderou que, enquanto o mecanismo existir, continua utilizando as emendas de forma transparente para atender demandas estruturais de prefeituras pernambucanas.

Escala 6 x 1

Na esteira dos debates sociais que ganham força no Congresso, o senador declarou apoio irrestrito à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a jornada de trabalho na escala 6×1, defendendo a transição para o modelo 5×2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso).

Humberto rebateu os argumentos do setor empresarial de que a medida causaria desemprego em massa ou quebraria pequenas empresas, classificando o discurso como um “espantalho histórico” usado sempre que novos direitos sociais são discutidos. Ele citou exemplos que vão desde a abolição da escravidão até a criação do 13º salário e da licença-maternidade para demonstrar que a economia sempre se adapta. O senador sinalizou que, se necessário, o governo federal poderá discutir compensações fiscais, mas defendeu que o ganho em produtividade e bem-estar social justifica a mudança legislativa.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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