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Os dados do eleitorado pernambucano divulgados esta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não trazem apenas números: eles desenham o mapa do campo de batalha onde Raquel Lyra e João Campos travarão um dos embates mais estratégicos da história recente do estado. Comparados ao pleito de 2022, os novos dados mostram que o colégio eleitoral cresceu mais de 200 mil eleitores, chegando a 7,22 milhões de votantes. Mas o que realmente chama a atenção é onde e como esse crescimento se concentrou.
De um lado, o crescimento contínuo do eleitorado na Região Metropolitana do Recife (RMR) sopra a favor de João Campos. A RMR, que já concentrava um peso decisivo em 2022, hoje soma um contingente um pouco maior de eleitores (eram 2.934.168 e passaram a 2.983.262) no “fundo do quintal” do prefeito da capital. Com alta aprovação no Recife, João entra nesse cenário com a vantagem natural de jogar em casa. O seu grande desafio não é ser lembrado no Grande Recife, mas sim conseguir traduzir essa força metropolitana em uma onda que consiga atravessar o Agreste e desembarcar com fôlego no Sertão.
Do outro lado da mesa, a governadora Raquel Lyra encara uma equação mais complexa. Se por um lado a sua força histórica reside no interior — a começar pelo Agreste —, a Região Metropolitana continua sendo o seu gargalo mais sensível. Apesar de o crescimento do eleitorado não ter sido tão expressivo, o cenário atual na RMR impõe dores de cabeça adicionais: palanques de aliados estratégicos do governo, como Mirella Almeida, em Olinda, e Ramos, em Paulista, enfrentam altos índices de rejeição. Em uma eleição em que cada voto metropolitano conta para estancar a vantagem da oposição, ter âncoras políticas desgastadas em cidades-chave é um problema.
Eleitorado feminino
Nesse cabo de guerra, o eleitorado feminino surge como a grande chave do jogo. As mulheres já somavam mais de 53,5% dos votos em 2022 e continuam se consolidando como a maioria absoluta do estado, ultrapassando a marca de 3,87 milhões de eleitoras. Como primeira mulher a governar Pernambuco, Raquel carrega um ativo simbólico valioso de representatividade. Contudo, o voto feminino não se move apenas por identificação: ele é pragmático e sensível a gargalos do dia a dia, como saúde, vagas em creches, transporte e segurança.
O raio-X do TSE deixa claro que não há margem para distrações. Se João Campos precisa provar que sua popularidade cruza as fronteiras do Grande Recife, Raquel Lyra precisa cuidar da RMR e converter a maioria feminina em uma blindagem política real. O tabuleiro está montado, o eleitorado cresceu, e o margem para erro ficou ainda menor.
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