João Campos cobra falta de grandes investimentos em Pernambuco

​A atração de novos investimentos e o destravamento de obras de infraestrutura estruturantes deram o tom do discurso do pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), durante a convenção do Republicanos realizada nesta terça-feira (21), no Recife. Ao lado do recém-oficializado pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos), o socialista endureceu as críticas à falta de grandes anúncios industriais no estado e defendeu que o governo estadual assuma o protagonismo nas obras da Ferrovia Transnordestina.

​Embora não tenha citado nominalmente em sua fala o alvo dos ataques, o tom elwvado do discurso que as cobranças foram direcionadas à sua principal adversária na corrida eleitoral: a governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD).

​João questiona anúncios

​O pré-candidato destacou que os principais empreendimentos globais recentes foram captados por estados vizinhos por falta de articulação política e técnica local, em clara provocação à gestão estadual.

“Qual é o último grande anúncio industrial que a gente vê no nosso estado? Não tem. A gente não tá vendo as grandes obras avançando”, provocou Campos.

​Para ilustrar a perda de competitividade da atual administração, ele citou exemplos de grandes aportes privados que deixaram de vir a Pernambuco:

  • BYD e montadoras chinesas: Instalação da BYD na Bahia, da GWM no Espírito Santo e o novo polo da CAOA/chinesas em Goiás.
  • Tecnologia: O investimento de R$ 50 bilhões em data centers do TikTok no Ceará.
  • Dependência do passado: Campos lembrou que a fábrica da Jeep (Stellantis) e a Refinaria Abreu e Lima — conquistas de gestões anteriores — representam sozinhos 25% de toda a arrecadação de ICMS de Pernambuco. “Imagina se não tivessem esses dois empreendimentos? Seria 25% a menos de arrecadação. A gente precisa ter a capacidade de buscar novas oportunidades”, ressaltou.

​ IPVA x Gastos com aeronaves

​Ao detalhar sua proposta de isenção de IPVA para motocicletas de até 160cc — voltada para proteger a renda de trabalhadores e entregadores de aplicativo —, João Campos fez um contraponto direto às aquisições e ao uso de aeronaves oficiais por parte do governo de Raquel Lyra, que comprou e licitou helicóptero e avião para a frota do Estado sob a justificativa de segurança pública e transporte oficial.

“Essa proposta da moto é mais barata do que comprar um avião e um helicóptero para ficar andando levando os altos chefes do estado de Pernambuco. É mais barata do que isso. E dá para pagar”, alfinetou o socialista.

Transnordestina

​No campo da infraestrutura, João Campos usou o imbróglio da Ferrovia Transnordestina como o exemplo mais crítico da falta de liderança do atual governo de Raquel Lyra. Enquanto o Ceará está a cerca de 150 km de concluir o seu trecho, o modelo atual desenhado para o trecho pernambucano, segundo ele, inviabiliza o desenvolvimento do estado.

​Para resolver o impasse e expor o contraponto com o Palácio do Campo das Princesas, Campos propôs uma intervenção direta do Estado:

  • Protagonismo estadual: O Estado de Pernambuco deve chamar para si a responsabilidade do projeto.
  • Duas frentes de trabalho: Iniciar as obras simultaneamente em duas pontas — uma partida de Suape em direção ao interior e outra a partir do trecho de Salgueiro (que já teve obras iniciadas), para que se encontrem no meio do caminho.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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