TCU julga Transnordestina dia 15; Sudene reforça viabilidade

Relatório atende exigência do Tribunal e aponta retorno social de R$ 4,76 bilhões para a conclusão da ferrovia Transnordestina em Pernambuco

A expectativa em torno da retomada da Ferrovia Transnordestina em Pernambuco se concentra no próximo dia 15 de julho, quando o Tribunal de Contas da União (TCU) deverá julgar o processo relacionado ao empreendimento. Às vésperas da análise, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentou, nesta terça-feira (7), um estudo técnico que reforça a viabilidade econômica e social do trecho entre Salgueiro e o Porto de Suape.

O levantamento será encaminhado ao TCU em atendimento ao Acórdão nº 1.217/2026, que determinou a apresentação de estudos comprovando a pertinência do empreendimento antes da liberação de novos compromissos financeiros. O julgamento também envolve a licitação de um lote inicial de 73 quilômetros da ferrovia.

Durante reunião realizada na Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, destacou que o estudo comprova a viabilidade do investimento estimado em R$ 5 bilhões para a construção dos 521,5 quilômetros entre Salgueiro e Suape.

A expectativa também é compartilhada pela Infra S.A., estatal responsável pelo projeto. Segundo relato feito durante o encontro, o presidente da empresa, Jorge Bastos, informou que, tão logo o TCU autorize o prosseguimento da obra, estará em Pernambuco para a assinatura do contrato, em cerimônia prevista para a sede da Fiepe.

Retorno social

O estudo elaborado pela Sudene estima um Valor Social Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões e uma Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%. Os indicadores levam em consideração benefícios como redução dos custos logísticos, diminuição de acidentes nas rodovias, redução das emissões de gases de efeito estufa, menor gasto público com infraestrutura rodoviária e fortalecimento da integração produtiva do Semiárido.

A análise também amplia a perspectiva sobre a função da ferrovia, apontando que o corredor logístico não deverá servir apenas ao escoamento de commodities para exportação. O estudo prevê o transporte de grãos, gesso, combustíveis, fertilizantes, calcário, insumos para a construção civil, produtos siderúrgicos e contêineres, acompanhando o crescimento do mercado consumidor nordestino.

Com esse cenário, a projeção é de movimentação anual entre 18 milhões e 24 milhões de toneladas de cargas, em uma operação de mão dupla que reduz o risco de ociosidade da ferrovia ao integrar exportações via Porto de Suape e a distribuição de combustíveis, fertilizantes importados e bens de consumo para o interior da região.

“Os aspectos sociais deste empreendimento fortalecem sua execução. Associados aos potenciais econômicos que já estão presentes e aos que podem surgir, o valor social reforça a importância da obra para a região”, afirmou o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre.

Transnordestina e a integração regional

Segundo o levantamento, a fase de implantação da ferrovia poderá gerar aproximadamente 13 mil empregos. Após a conclusão, a expectativa é de cerca de 9,6 mil postos de trabalho ligados à operação ferroviária, aos terminais de carga e às atividades econômicas associadas.

A Sudene estima ainda impacto de aproximadamente R$ 8,23 bilhões sobre o Valor Adicionado Bruto (VAB) durante a implantação e um incremento anual de cerca de R$ 910 milhões na economia regional durante a operação. A área de influência dos terminais de Salgueiro e Suape concentra mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e do Valor Adicionado Bruto do Nordeste.

Como parte das propostas para viabilizar o empreendimento, a autarquia defende a criação de uma câmara de conciliação interinstitucional para coordenar questões fundiárias, socioambientais e institucionais, buscando acelerar a execução da obra.

Para o presidente da Fiepe, Bruno Veloso, o estudo reúne elementos técnicos que reforçam a importância estratégica da ferrovia. “O trecho Salgueiro-Suape é uma obra estratégica para a região. Temos um dos principais portos do país, e um complexo dessa dimensão precisa estar integrado a uma malha ferroviária, com impactos positivos para toda a região”, destacou.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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