Nem só de pautas e notícias vivia a redação do Jornal do Commercio em meados dos anos 2000. Havia um clima amistoso de muitas brincadeiras, rompido apenas quando a trollagem fugia do controle. O dia 13 de junho de 2006 começou cedo para os jornalistas do JC. Todos se apressaram para antecipar o serviço, por um bom motivo: às 16h haveria uma pausa geral para que todos pudessem acompanhar a estreia do Brasil na Copa do Mundo da Alemanha, contra a Croácia.
O clima era de euforia total nas horas que antecederam a partida, aquele frisson gostoso e saudável, em uma época em que os brasileiros exerciam o patriotismo apenas a cada quatro anos. Os teclados não paravam e o silêncio para a produção das matérias contrastava com a ansiedade para o início da partida.
Às 15h30, os jornalistas começaram a parar a labuta para se concentrar apenas na estreia da Copa. A maioria da redação optou por assistir na baia em que funcionava a Editoria de Política, que tinha uma TV um pouco maior. Na de Cidades, estavam apenas o editor-assistente Ricardo Novelino, um dos poucos que não havia parado, e o repórter Carlos Eduardo Santos, Kaká.
Susto antes da Copa
Agitado por natureza, Jorge Cavalcanti não parava. “Esse Adriano é um touro”, comentava. Quando o hino começou a ser executado, teve uma ideia. Pegou um telefone e discou um número. Do outro lado da linha, Novelino atendeu. “É do Jornal do Commercio? Eu queria dizer um incêndio tá destruindo tudo aqui na favela (na época não era chamado de comunidade) do Detran. É muito fogo, dou…”, disse Jorge, o morador. Nem terminou a frase e ouviu o grito: “KAKÁÁÁÁÁÁÁÁÁ. Incêndio na favela do Detran, vai pra lá”.
“Porra. Na hora do jogo”, disse Kaká, colocando o caderno debaixo, pegando a pochete e indo providenciar o carro.
Na baia de Política, após uma gargalhada coletiva inicial, todos foram tentar desfazer a greia e ficaram preocupados. Novelino não ouvia ninguém. Todos tentavam dizer que era trote, mas ele seguia preparando a cobertura. Kaká, pelo menos, já tinha notado que não tinha incêndio coisa nenhuma e já estava aliviado.
Quando caiu em si, naturalmente Novelino ficou revoltado. Disse que aquilo não se faz, que estava ali para trabalhar e ficou de cara emburrada no início do jogo.
No final, todos voltaram felizes ao trabalho, após acompanhar a vitória do Brasil sobre a Croácia, por 1 x 0, gol, coincidentemente, de Kaká, o jogador. Quanto a Novelino e Jorge, depois voltaram às boas.
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