Bastou a pressão certa para destravar a LOA

Intervenção da Amupe viabiliza acordo sobre a LOA em Pernambuco após quatro meses da interminável disputa entre Executivo e Legislativo pelo limite de remanejamento

O movimento dos prefeitos para a modificação da Lei Orçamentária Anual (LOA) precipitou uma série de soluções para a confusão e disputa entre Legislativo e Executivo em torno da peça. Desde dezembro que os dois Poderes vão lançando mão de todo tipo de artifício para tentar fazer valer a sua proposta. O Governo quer ver restabelecido o limite de 20% para o remanejamento orçamentário; a oposição quer manter em 10%. De todos os meios utilizados, só um foi deixado de lado e logo o principal deles: o diálogo.

Na política, como na vida, quase nunca os fins justificam os meios. E o que se viu nesses quatro meses foi um embate fraticida no Parlamento. Ora a base governista fazia um movimento às pressas, parecendo até escondido, ora a oposição reagia elevando o limite de força.  

Quem acompanhou a sessão da Comissão de Finanças, nesta quarta-feira (22), pode não ter formado a opinião sobre quem estava certo ou errado na questão de elevação para 20% o limite de remanejamento orçamentário, mas saiu com a certeza de que os dois lados estavam fazendo um debate surdo, que nunca chegaria a um consenso.

Amupe e a LOA

A proposta costurada pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) resolveu uma pendenga que nem mesmo os próprios deputados pareciam ter condições mais de resolver.  Após uma conversa com a comitiva da Amupe, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Álvaro Porto, faz uma ligação telefônica para a governadora Raquel Lyra e pronto; a proposta deve ser aprovada na manhã desta quinta-feira (23). Quatro meses de idas e vindas foram desperdiçados, bastou um telefonema.

Mas para chegar a esse contato telefônico, foi necessária a pressão certa para resolver tudo. Afinal, os deputados sabem o exato papel dos prefeitos numa eleição. Numa disputa proporcional acirrada, como a que se avizinha, o manual da política manda não criar arestas com ninguém. Principalmente os prefeitos.  

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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