União Progressista joga com o tempo e o pragmatismo

Eduardo da Fonte antecipa a mudança visual do PP no Recife, enquanto a Federação União Progressista aguarda homologação do TSE

Na política é impossível cravar que alguém ou algum partido está em situação confortável. O que é certo hoje é dúvida amanhã. Mas quem está numa situação privilegiada em Pernambuco é a futura Federação União Progressista. Com duas bandas e cada uma em namoro firme com um dos campos que disputarão o governo do Estado em outubro, joga com o tempo para definir o caminho que tomará nas eleições em Pernambuco. Por hora, segue sendo ternurada pelos palanques da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra, e do prefeito do Recife e pré-candidato ao governo, João Campos.

Nesta segunda-feira (23), o PP, um dos braços da federação, anunciou por meio de nota do presidente Eduardo da Fonte que estará com a governadora, mas ainda aguarda a formalização do colegiado para reafirmar o apoio.

Do outro lado, Miguel Coelho, presidente do União Brasil no estado – a outra banda da federação – está ao lado de João Campos. E é justamente aí o ponto de divergência dos dois lados.

Um importante aliado de Raquel Lyra jura de pés juntos que Miguel já está apalavrado com o palanque da gestora, só falta o anúncio. “Ele será um dos candidatos a senador, com Dudu (Eduardo da Fonte) na outra vaga”, garante, apresentando a chapa meio insólita, pois fecha as portas para novas adesões.

Do lado de João Campos, um interlocutor com excelente trânsito no grupo, diz não ter dúvida de que Miguel será o candidato ao Senado na chapa do prefeito. “A vaga é dele”, sentencia o aliado do socialista.

No tempo da União Progresista

Nesse cabo de guerra, o União Progressista fica tranquilamente sentado na corda, esperando para ver quem terá mais força. Com calma, sem pressa. Até porque o vencedor da disputa abocanha um espólio eleitoral gigantesco. Um prêmio que representa 20% do tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito. Para se ter uma ideia, a federação supera PL e PT individualmente. É ou não é motivo mais do que suficiente para jogar charme para o parceiro do campo adversário, apostando numa traição e pavimentando a vitória no pleito? No final, o pragmatismo será o grande vencedor.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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