Com Bolsonaro incomunicável, PL destitui Gilson do comando da sigla no Recife

Anderson Ferreira e Gilson Machado disputa pelo Senado (2) (1)

A disputa interna no PL de Pernambuco ganhou um novo capítulo. O ex-ministro Gilson Machado foi destituído do comando do Diretório Municipal do Recife. Em seu lugar, ficará o vereador Paulo Muniz, ligado à família Ferreira, que comanda a legenda no Estado com Anderson Ferreira. Além da mudança no comando, também houve troca na tesouraria. Sai André Correia, braço-direito de Alberto Feitosa de Gilson, e entra André Trajano, da cozinha dos Ferreiras.

O movimento ocorre na mesma semana em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi colocado pelo ministro Alexandre de Moraes em prisão domiciliar, sem poder usar as redes social ou se comunicar com o mundo exterior. O ex-gestor, que está incomunicável desde a segunda-feira (4), é o fiador do ex-ministro no partido. Aliados de Gilson afirmam que isso só ocorreu agora porque Bolsonaro não pode ser consultado.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (8), o PL informa a mudança. Afirma que a mudança “é um movimento natural”, já previsto, e “faz parte do processo de organização do partido na capital para as eleições de 2026”, apesar de aproxima eleição ser estadual, ou seja, com o debate municipal fora da pauta eleitoral.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, se pronunciou sobre a mudança. “O Recife é uma peça-chave na nossa estratégia para 2026. Estamos trabalhando para ampliar nossa atuação e fortalecer ainda mais a presença no estado”, afirmou.

Gilson x Anderson

Analistas, no entanto, afirmam que o pano de fundo para a mudança tem a ver com a disputa no Senado. Pré-candidato ao cargo, Anderson Ferreira já deixou claro que não há espaço para duas candidaturas do PL e que o correligionário não pode colocar seu projeto pessoal sobre o projeto do partido”.

 Gilson, por sua vez, criticou a “violência verbal desnecessária e deselegante” e se defendeu dizendo que a decisão final sobre sua candidatura dependia do ex-presidente Jair Bolsonaro, que chegou a reforçar o nome do aliado para o Senado. Sem poder se colocar publicamente, Jair Bolsonaro não pôde agir para manter o aliado no cargo.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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