Quando o embate eleitoral invade a rotina da gestão

Com o embate eleitoral cada vez mais na ordem do dia, a CXâmara acabou se transformando em palco de disputa

Na sociedade, nem sempre o sentido da terceira Lei de Newton é seguida. Mas na política, sim. Principalmente na eleitoral. Toda ação corresponde a uma reação em igual intensidade, mesmo que isso envolva trocas fora de hora na equipe. E foi isso que ocorreu com o retorno do vereador Marco Aurélio Filho (PV) para a Câmara do Recife, mandando de volta à suplência o suplente Osmar Ricardo (PT).  O petista, no entanto, não pareceu preocupado. Admitiu que a também vereadora Flávia de Nadegi (PV) pode ser convocada a ocupar cargo no Governo do Estado, precipitando a sua volta à Câmara do Recife, onde foi o responsável pela 13ª assinatura necessária para que fosse protocolada a Comissão Parlamentar de Inquérito contra a gestão do prefeito João Campos.

O que chama a atenção nesse episódio é a facilidade que as peças são movidas nas gestões.  O que é hoje, não é amanhã, independentemente da necessidade e capacidade da pessoa para o cargo que ocupa. Se confirmada a nomeação da vereadora Flávia de Nadegi no Governo, como admitiu Osmar para que possa retornar à Câmara, Prefeitura e Governo se equipararão no modus operandi.

A face da disputa eleitoral

Esse é mais uma face visível da disputa que vem sendo travada há meses com a disputa pelo governo do Estado como pano de fundo. Na última sexta-feira (27), a governadora Raquel Lyra disse que nunca um governante “foi tão questionado na Assembleia Legislativa” quanto ela. Alvo de uma CPI em estado latente na Alepe, ela tem tido muita dor de cabeça no legislativo desde o início da gestão. Mas tem escapado depois de perder algum tempo.

Para João Campos esse tipo de ação mais incisiva da oposição é novidade. A diferença é que tem uma base firme na Casa de José Mariano para barrar as investidas. Tanto que o CPI toi arquivada.

Nesse contexto, a antecipação da campanha para o Governo do Estado — que até então era apontada como fator de desgaste apenas para um dos lados — começa a produzir efeitos também no outro polo da disputa. Quando a lógica eleitoral se impõe antes do tempo, decisões administrativas e mudanças na deixam de ser vistos apenas como atos de gestão e passam a ser fazer parte do embate político. No fim, a campanha fora de hora deixa de ser um incômodo isolado e se transforma em um problema compartilhado — e isso é ruim para todos.

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João Campos troca secretário após assinatura de CPI

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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