A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realiza, nesta quinta-feira (07), às 14h, no Auditório Sérgio Guerra, audiência pública para discutir riscos sanitários associados à importação de tilápia do Vietnã e possíveis impactos sobre a produção estadual.
A iniciativa busca construir estratégias para evitar a contaminação pelo Vírus do Lago da Tilápia (TiLV) — doença infecciosa que afeta a espécie e pode provocar alta mortalidade nos criatórios, comprometendo a produtividade, a renda e os empregos no setor.
A audiência será conduzida pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural da Alepe, presidida pelo deputado estadual Luciano Duque (Podemos), após demandas apresentadas por produtores, prefeituras, empresas do setor alimentício, órgãos de fiscalização agropecuária e entidades representativas.
Produção e risco sanitário
Pernambuco ocupa a 10ª posição no ranking nacional da tilapicultura, com produção anual de cerca de 35 mil toneladas. A atividade gera milhares de empregos diretos e indiretos no estado.
Entre os principais polos produtivos estão os municípios de Petrolândia, Floresta, Itacuruba, Belém do São Francisco e Jatobá, conhecido como “capital da tilápia” e maior produtor do Nordeste.
A preocupação do setor está relacionada à possibilidade de entrada do vírus TiLV por meio da importação do pescado. O vírus ainda não possui tratamento eficaz conhecido, sendo considerado um dos principais riscos sanitários da piscicultura global.
Medidas em outros estados
A discussão em Pernambuco ocorre em meio a decisões adotadas por outras unidades da federação. Em Santa Catarina, a entrada, comercialização e distribuição de tilápia do Vietnã foram proibidas desde dezembro de 2025.
A medida teve como base alertas técnicos de instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que recomendou restrições ao produto, tanto na forma viva quanto congelada, diante de riscos sanitários.
Apesar disso, a importação segue autorizada pelo governo federal, o que tem ampliado o debate entre produtores e autoridades estaduais.
Mobilização do setor
A expectativa é que a audiência reúna produtores, representantes municipais, empresas, entidades do setor, universidades e órgãos públicos. Entre os participantes, está a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro), que acompanha as discussões sobre proteção sanitária.
Também são esperados profissionais ligados à pesca e à piscicultura, com o objetivo de ampliar o debate técnico e institucional sobre medidas de prevenção e controle.
Produtores apontam incertezas quanto aos padrões sanitários do país exportador e relatam preocupações com a qualidade do produto que chega ao mercado brasileiro, além de possíveis impactos à saúde do consumidor.


