O uso de imagens das deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) em um álbum de reconhecimento fotográfico de um caso de roubo de celular no Recife motivou pedidos de apuração e a abertura de investigação pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. Ao se pronunciar sobre o fato, a governadora Raquel Lyra determinou a apuação rigorosa do episódio. A manifestação da gestora foi por meio da rede social X.
“Determinei apuração rigorosa com abertura de processo na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. Preconceito e violência simbólica não são tolerados em PE”, declarou
O caso veio à tona após a Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE) identificar que as imagens das parlamentares foram incluídas entre seis fotografias apresentadas à vítima, mesmo sem relação com o fato investigado. O crime ocorreu em 24 de fevereiro de 2025, nas proximidades de uma faculdade privada na Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife, e o reconhecimento fotográfico foi realizado em 8 de abril do mesmo ano.
Inadmissível o uso da imagem das deputadas federais Duda Salabert e Érika Hilton pela Polícia Civil de PE. Determinei apuração rigorosa com abertura de processo na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. Preconceito e violência simbólica não são tolerados em PE.
— Raquel Lyra (@raquellyra) March 25, 2026
Em ofício encaminhado ao Governo de Pernambuco, a deputada Erika Hilton solicitou apuração “célere e rigorosa” sobre o uso indevido do material, além da revisão dos protocolos adotados pelas forças de segurança.
A Defensoria Pública informou que o álbum exibido à vítima continha imagens de pessoas públicas sem qualquer vínculo com o caso. Segundo o órgão, o procedimento compromete a validade da investigação e pode expor inocentes à condição de suspeitos.
“A Defensoria suscitou a nulidade do ato, por entender que a prova é inválida e não pode fundamentar eventual condenação”, afirmou a instituição em nota.
A defensora pública Gina Ribeiro Gonçalves Muniz apontou que o critério de seleção das imagens não considerou características individualizadas da suspeita.
“O critério de seleção adotado pela autoridade policial foi o pertencimento a um grupo identitário de gênero e raça, e não qualquer semelhança individualizada com a descrição física da suspeita fornecida pela vítima”, declarou.
Reconhecimento fotográfico é um procedimento previsto no Código de Processo Penal (CPP), que orienta a identificação de suspeitos por meio de imagens. Especialistas apontam que a prática deve seguir critérios técnicos, com semelhança física entre os apresentados, para evitar erros e nulidades.
Conversei hoje, ao telefone, com a governadora @RaquelLyra, que me pediu desculpas pelo uso de uma foto minha no álbum de reconhecimento fotográfico da Polícia Civil de Pernambuco.
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 25, 2026
Ela também se comprometeu com a devida apuração dos fatos e dos responsáveis por essa agressão…
Reação das parlamentares
Antes do pedido de Hilton, Duda Salabert já havia solicitado esclarecimentos à Secretaria de Defesa Social, classificando o episódio como possível caso de “transfobia institucional”. A parlamentar também destacou a ausência de semelhança física entre ela e Hilton.
Nos pedidos encaminhados ao governo estadual, as deputadas solicitaram acompanhamento direto do caso, responsabilização dos envolvidos e revisão dos protocolos policiais.
Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton afirmou que conversou por telefone com a governadora Raquel Lyra, que pediu desculpas pelo uso da imagem e se comprometeu com a apuração dos fatos. A parlamentar declarou que considera o episódio uma “agressão simbólica e transfóbica” e mencionou também a deputada Duda Salabert ao tratar do caso.
Muito obrigada Governadora @raquellyra pela atitude . Muito importante essa apuração , pois o erro cometido pela Polícia Civil fragiliza a investigação de crimes e abre espaço para estigmatização das identidades trans.
— Duda Salabert (@DudaSalabert) March 25, 2026
Segurança Pública é uma das prioridades em sua gestão e em… https://t.co/7cOC24DtD8
Duda Salabert, por sua vez, agradeceu a manifestação da governadora e destacou a importância da investigação. Segundo a parlamentar, o erro cometido pela Polícia Civil fragiliza a apuração de crimes e pode abrir espaço para estigmatização de identidades trans, além de reforçar a necessidade de mudanças nos protocolos para evitar injustiças.
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Pernambuco já investiga
Em nota, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) informou que a Corregedoria iniciou investigação preliminar para verificar os fatos e coletar elementos para eventual processo administrativo.
“A Polícia Civil de Pernambuco assegura a apuração rigorosa dos fatos noticiados, bem como a adoção de todas as medidas cabíveis”, informou a pasta.
A secretaria também afirmou que mantém diretrizes e protocolos voltados à atuação ética e reforçou o compromisso com o combate a qualquer forma de discriminação.
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