Governo de Pernambuco apura uso indevido de imagens de deputadas em banco de investigados

A governadora de Pernambuco Raquel Lyra dfeterminou a investigação rigorosa sobre o as deputadas federais

O uso de imagens das deputadas federais Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) em um álbum de reconhecimento fotográfico de um caso de roubo de celular no Recife motivou pedidos de apuração e a abertura de investigação pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. Ao se pronunciar sobre o fato, a governadora Raquel Lyra determinou a apuação rigorosa do episódio. A manifestação da gestora foi por meio da rede social X.

“Determinei apuração rigorosa com abertura de processo na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social. Preconceito e violência simbólica não são tolerados em PE”, declarou

O caso veio à tona após a Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE) identificar que as imagens das parlamentares foram incluídas entre seis fotografias apresentadas à vítima, mesmo sem relação com o fato investigado. O crime ocorreu em 24 de fevereiro de 2025, nas proximidades de uma faculdade privada na Avenida Conde da Boa Vista, no Centro do Recife, e o reconhecimento fotográfico foi realizado em 8 de abril do mesmo ano.

Em ofício encaminhado ao Governo de Pernambuco, a deputada Erika Hilton solicitou apuração “célere e rigorosa” sobre o uso indevido do material, além da revisão dos protocolos adotados pelas forças de segurança.

A Defensoria Pública informou que o álbum exibido à vítima continha imagens de pessoas públicas sem qualquer vínculo com o caso. Segundo o órgão, o procedimento compromete a validade da investigação e pode expor inocentes à condição de suspeitos.

“A Defensoria suscitou a nulidade do ato, por entender que a prova é inválida e não pode fundamentar eventual condenação”, afirmou a instituição em nota.

A defensora pública Gina Ribeiro Gonçalves Muniz apontou que o critério de seleção das imagens não considerou características individualizadas da suspeita.

“O critério de seleção adotado pela autoridade policial foi o pertencimento a um grupo identitário de gênero e raça, e não qualquer semelhança individualizada com a descrição física da suspeita fornecida pela vítima”, declarou.

Reconhecimento fotográfico é um procedimento previsto no Código de Processo Penal (CPP), que orienta a identificação de suspeitos por meio de imagens. Especialistas apontam que a prática deve seguir critérios técnicos, com semelhança física entre os apresentados, para evitar erros e nulidades.

Reação das parlamentares

Antes do pedido de Hilton, Duda Salabert já havia solicitado esclarecimentos à Secretaria de Defesa Social, classificando o episódio como possível caso de “transfobia institucional”. A parlamentar também destacou a ausência de semelhança física entre ela e Hilton.

Nos pedidos encaminhados ao governo estadual, as deputadas solicitaram acompanhamento direto do caso, responsabilização dos envolvidos e revisão dos protocolos policiais.

Em publicação nas redes sociais, Erika Hilton afirmou que conversou por telefone com a governadora Raquel Lyra, que pediu desculpas pelo uso da imagem e se comprometeu com a apuração dos fatos. A parlamentar declarou que considera o episódio uma “agressão simbólica e transfóbica” e mencionou também a deputada Duda Salabert ao tratar do caso.

Duda Salabert, por sua vez, agradeceu a manifestação da governadora e destacou a importância da investigação. Segundo a parlamentar, o erro cometido pela Polícia Civil fragiliza a apuração de crimes e pode abrir espaço para estigmatização de identidades trans, além de reforçar a necessidade de mudanças nos protocolos para evitar injustiças.

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Pernambuco já investiga

Em nota, a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE) informou que a Corregedoria iniciou investigação preliminar para verificar os fatos e coletar elementos para eventual processo administrativo.

“A Polícia Civil de Pernambuco assegura a apuração rigorosa dos fatos noticiados, bem como a adoção de todas as medidas cabíveis”, informou a pasta.

A secretaria também afirmou que mantém diretrizes e protocolos voltados à atuação ética e reforçou o compromisso com o combate a qualquer forma de discriminação.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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