O prefeito do Recife, João Campos, cumpre nesta sexta-feira (20) mais uma etapa do processo iniciado em 2018, quando foi eleito o deputado federal mais votado do Estado, e reforçado em 2022, quando, depois de 16 anos, o PSB deixou o comando do Governo do Estado. Sucessor natural do bisavô Miguel Arraes e do pai Eduardo Campos, montou um modelo de gestão à frente da Prefeitura e começou a construir o caminho para tentar levar o partido de volta ao Palácio do Campo das Princesas. A partir desta sexta-feira (20), assume o que ninguém nunca teve um segundo de dúvida: é pré-candidato ao Governo num embate que promete ser radicalizado de lado a lado com a governadora e pré-candidata à reeleição Raquel Lyra.
Mas até chegar a esta sexta-feira, um longo caminho de muitas etapas foi percorrido. Em toda essa toda a trajetória aliados se revezaram para desgastar a gestão de Raquel, principalmente na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Mas ele manteve a distância regulamentar e seguiu tocando a gestão do Recife. Se aplicasse as regras da gramática à política, ele foi uma espécie de sujeito oculto durante todo esse período.
Nesta sexta, no entanto, quando chegar ao hotel no Pina sai o gestor e entra o pré-candidato. Até então a presença de João Campos no pleito era uma possibilidade muito provável, que ninguém tinha dúvidas. Mas estava no campo da hipótese. A partir das 12h será uma realidade. As críticas à gestão estadual serão diretas e partirão dele, e não mais de aliados.
João fora da PCR
A partir do dia 2 de abril, quando deixar a Prefeitura do Recife, João Campos inicia a penúltima etapa do roteiro traçado lá trás. Começará a rodar o Estado para apresentar o seu projeto para Pernambuco, a partir da gestão no Recife. Com a chapa já escalada, apesar do ruído com o PT (Humberto Costa, pré-candidato ao Senado, não estará presente nesta sexta), buscará reforçar seu nome, que até então lidera as pesquisas, nas diversas regiões do Estado.
Ao oficializar a pré-candidatura, João Campos transforma uma construção política iniciada há anos em movimento aberto de disputa, assumindo o protagonismo do confronto com Raquel Lyra e colocando em teste a capacidade de converter a gestão municipal em capital eleitoral no interior do Estado. A largada desta nova fase marca não apenas a saída do “sujeito oculto” para o centro do debate, mas também o início de uma campanha em que discurso, alianças e desempenho administrativo passarão a ser medidos diretamente pelo eleitor pernambucano.
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