Desidratação política reduz o poder de negociação do PP

Expurgo do PP por Raquel Lyra altera forças políticas em Pernambuco e influencia negociações para a disputa pelo Governo do Estado

O primeiro movimento efetivo da montagem de chapa para a disputa pelo Governo do Estado, com a governadora Raquel Lyra expurgando o Progressistas (PP) da gestão, repete o modo de ação da gestora na política e, também, acaba por colocar Eduardo da Fonte de certa forma, em uma condição mais frágil na mesa de negociação.

Em seu estilo de não ceder às suas convicções, antes mesmo de assumir o cargo, Raquel bancou a candidatura de Antônio Moraes para presidência da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), contra Álvaro Porto, seu aliado na campanha e que já vinha se articulando com os seus pares. Porto venceu e a governadora passou todo o mandato em relação pouco amistosa com a Casa, uma coisa rara diante da eterna dependência dos deputados das ações do governo.

Com uma oposição ativa na Alepe, a governadora buscou no PP de Eduardo da Fonte e seus oito deputados, uma garantia mínima de base. E Eduardo da Fonte ganhou muito espaço na gestão, com órgãos e secretaria. Tentou fazer o mesmo com o PL e seus cinco deputados, que, no entanto, nunca foi 100% fiel à gestão e acabou perdendo o espaço que tinha.

PP expurgado

Ao ver a movimentação de Eduardo da Fonte, de flertar com a chapa do adversário João Campos, Raquel não teve dúvida: afastou o PP do comando de três órgãos, entre eles o cobiçado Ceasa. Manteve, no entanto, o deputado aliado Kaio Maniçoba na Secretaria de Turismo. Na Alepe, o posto de maior bancada, PP já perdeu para o PSD horas antes do expurgo dos cargos no governo (Antônio Moraes se filiou ao PSD e um outro deputado está de malas prontas). E deve perder mais deputados nos próximos dias.

Com a decisão do governo, neste momento Eduardo da Fonte senta à mesa para negociar chapa em outubro em outras bases. A desidratação de cargos e deputados reduz um pouco a margem de negociação o pepista. Tanto se for concretizada a aliança com João Campos, ou uma eventual e bastante improvável retomada das conversas com Raquel Lyra.

No entanto, essa situação pode mudar caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) homologue, no próximo dia 26, a federação do PP com o União Brasil. Com isso, o colegiado passa a ter o maior tempo na propaganda eleitoral, um ativo gigantesco para Da Fonte na hora de negociar.  

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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