Lula e o freio de arrumação de João Campos

João Campos evoca tradição old school em Gravatá, amarra palanque com Lula e calibra discurso contra o Palácio

Uma resposta a um cenário que se desenhava desfavorável. O ato comandado pelo pré-candidato ao governo João Campos, nesta segunda (15), em Gravatá, serviu para dar uma chacoalhada no ânimo da militância, com a perda da liderança folgada que tinha nas pesquisas. Adotando o estilo old school de fazer campanha, que o PSB domina bem, conseguiu criar um fato importante para injetar ânimo numa pré-campanha que ainda patinava e, mais, ao cravar a exclusividade do apoio do presidente Lula em Pernambuco.

A gravação de Lula, exibida em um telão, funcionou para instigar mais ainda a militância serviu como um freio de arrumação nos bastidores. Ao cravar a exclusividade do palanque da Frente Popular no estado, o presidente desautorizou diretamente e em definitivo o aceno recente de seu ministro Wellington Dias à governadora Raquel Lyra (PSD). O acerto de contas com a realidade local, recheado de menções históricas a Miguel Arraes e Eduardo Campos, blindou João Campos de divisões internas na esquerda e desarticulou as especulações que geravam desconforto e ruído na base aliada.

O evento em Gravatá também serviu para demonstrar que o PSB sabe usar o peso da estrutura partidária e da tradição quando se vê emparedado. Com milhares de pessoas (a organização falou em 20 mil) congestionando os arredores do Hotel Canarius, dezenas de ônibus e uma comitiva de prefeitos, deputados e dois senadores, o lançamento da plataforma “Chega Junto Pernambuco” vestiu a roupagem clássica das grandes mobilizações socialistas. Do lado de fora, a força das bases; do lado de dentro, o discurso em cima de uma réplica da tribuna de 2006 de Eduardo Campos, evocando a aura da vitória histórica daquele ano para tentar reverter a oscilação negativa nas pesquisas.

João e a simbiose com Lula

Ao subir o tom contra o que chamou de “salto alto” e “arrogância” — recados cifrados para o  Palácio do Campo das Princesas —, João Campos calibrou o discurso para além do Recife e buscou a nacionalização da disputa. No xadrez que se desenha a partir de agora, o socialista reforça ainda mais a simbiose com o lulopetismo para amarrar o eleitorado do interior, prometendo lealdade irrestrita ao quarto mandato de Lula.

Veja também:

Em vídeo, presidente Lula crava apoio a João Campos em Pernambuco

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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