A extrema antecipação da campanha tem provocado efeitos nocivos ao debate político. As jogadas da governadora Raquel Lyra e do ex-prefeito João Campos precipitaram algumas definições, mas, também, as indefinições têm mexido com os atores políticos no campo governista. A situação dos dois personagens do União Progressista pré-candidatos ao Senado é um caso bem-acabado disso. Enquanto Eduardo da Fonte joga sem pressa, Miguel Coelho dá sinais de que a paciência não é infinita.
Com o nome lembrado à Casa Alta em outras eleições, Eduardo da Fonte parece não ter pressa pela definição. Sem ter distribuído nenhuma de suas bases, apenas as deslocando para o seu filho Lula da Fonte, joga com o tempo. Eles têm, fala-se, em torno de 300 mil votos, mais do que suficiente para eleger os dois. Se der certo a postulação ao Senado, pode fazer algum movimento e distribuir algumas delas para fortalecer o seu nome na disputa. Com isso e os votos de centro-direita, estaria no páreo. Se não der, disputa a reeleição para deputado federal juntamente com o filho. Sem estresse ou drama.
O caso de Miguel Coelho é bem diferente. Não depende apenas dele. Tem que superar uma série de bronquinhas, que, somadas, complicam bastante a postulação. A primeira e talvez a maior delas é a interna no União Progressista. A caneta está na mão de Eduardo da Fonte e ele precisa vencer isso para conquistar a indicação. Vencida essa etapa, terá que receber o aval da governadora Raquel Lyra. Ela já teve várias oportunidades de sinalizar a simpatia a Miguel para o Senado, mas sempre sai pela tangente. Miguel fez o movimento mais forte nesta pré-campanha, ao trocar o palanque de João Campos, onde já não teria espaço, pelo governista.
Traquilidade intranquila no União
A declaração dada na semana passada a Wellington Ribeiro, no Programa Café no Ponto, na TV Nova, de que fica “tranquilo” de que será “candidato a senador, nem que o União vá avulso, a Federação vá avulso”, demonstra mais do que intranquilidade. Aponta um cansaço de tantas movimentações em busca de uma vaga e, às portas das convenções, só ter incertezas. E o pior: gerou uma onda de críticas dos filiados à banda do PP no partido e forçou Miguel a soltar uma nota defendendo a sua posição, nesta terça-feira (2).
É até compreensível, diante do cenário tão antecipado, essa ansiedade pré-eleitoral. Mas o passado mostra que a pressa é inimiga da formação dos palanques. Muitas vezes os acordos são fechados às portas das convenções. Se nesta eleição o calendário foi alterado, resta controlar os nervos. Até porque à governadora Raquel Lyra, quanto mais ela puder empurrar a eleição para frente, melhor. Assim como Eduardo da Fonte, ela joga com o tempo.
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