O Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou um manifesto com diretrizes políticas e econômicas ao fim do seu 8º Congresso, realizado em Brasília, definindo sete reformas estruturais e estratégias para as eleições de 2026. O documento final retirou a proposta de reforma do sistema financeiro, que constava nas versões preliminares debatidas nos dias anteriores.
Intitulado “Construindo o Futuro”, o texto consolida a agenda do partido para o próximo ciclo político e estabelece prioridades programáticas, com foco na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na formação de alianças políticas mais amplas.
Na versão aprovada, o PT elenca sete eixos de reformas: política e eleitoral, tributária, tecnológica, do Poder Judiciário, administrativa, agrária e da comunicação. As duas últimas foram incluídas na etapa final das discussões internas.
Estratégia eleitoral do PT
De acordo com o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), o manifesto busca dialogar com setores de centro. “O manifesto, na minha opinião, a centralidade dele é falar para o país e chamar o centro para compor com o Lula”, afirmou o parlamentar.
O documento também trata a reeleição de Lula como “decisiva para o futuro do Brasil” e para o equilíbrio democrático internacional, associando o cenário eleitoral de 2026 ao avanço de forças de direita em países da Europa e das Américas.
Reformas e propostas
Entre os pontos destacados, a reforma política e eleitoral inclui a revisão do modelo de distribuição de emendas parlamentares, com o objetivo de “democratizar o poder e restituir a soberania popular”. O texto, no entanto, não detalha os mecanismos propostos.
A reforma do Poder Judiciário prevê a criação de “mecanismos de autocorreção”, além de medidas voltadas à democratização e ao fortalecimento do Estado de Direito.
Na área tecnológica, o partido defende maior regulação das plataformas digitais e dos chamados oligopólios de tecnologia, com foco na soberania digital e produtiva.
O manifesto também reforça a proposta de redução da jornada de trabalho, com defesa do fim da escala 6×1, tema em tramitação na Câmara dos Deputados e tratado como parte do “núcleo” de um projeto nacional.
Economia e soberania
O documento inclui diretrizes para exploração de terras raras, conjunto de minerais estratégicos utilizados em indústrias de alta tecnologia. O texto afirma que o Brasil deve ampliar o processamento interno desses recursos, evitando a exportação apenas de matéria-prima.
Além disso, o partido sustenta a necessidade de fortalecimento da indústria nacional, ampliação do investimento público e avanço na transição energética, dentro de um modelo de desenvolvimento com distribuição de renda.
Avaliação do governo
O manifesto apresenta dados sobre a gestão federal iniciada em 2023, citando crescimento médio de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB), valorização real do salário mínimo, redução da pobreza e saída do Brasil do Mapa da Fome.
Também são mencionados programas como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e o Pé-de-Meia, além da ampliação de investimentos em educação e saúde.
Organização interna
No plano partidário, o texto propõe mudanças na estrutura do PT, incluindo limite de mandatos — no máximo dois consecutivos no mesmo cargo e três no total — e a obrigatoriedade de pelo menos 50% de mulheres nos espaços de decisão.
O partido também defende a construção de um “bloco democrático-popular”, reunindo trabalhadores, movimentos sociais e setores empresariais em torno de um projeto de desenvolvimento nacional.
Contexto do congresso
O evento contou com a ausência do presidente Lula, que se recupera de procedimento cirúrgico recente. Durante o encontro, foi exibido um discurso gravado pelo presidente em agenda internacional.
As diretrizes aprovadas devem servir de base para a formulação do plano de campanha e serão discutidas com partidos aliados na composição eleitoral de 2026.
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