Disputa antecipada pelo Governo provoca caos na Alepe e na Câmara

Os ânimos accirados na Câmara do Recife e da Alepe projudicam não só as gestões, mas principalmente a população

O ambiente político em Pernambuco e no Recife atingiu, nos últimos dias, um estágio de degradação que ultrapassa o limite do debate democrático para flertar com o caos institucional. O que nos últimos dias na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e na Câmara Municipal do Recife não é apenas o embate de ideias, mas o contágio absoluto das pautas legislativas pela antecipação da disputa eleitoral de 2026. De um lado, a governadora Raquel Lyra; do outro, o prefeito João Campos. No meio, um campo de batalha onde o regimento interno mudar ao sabor do vento e a população só assistem, com muito pouco a fazer.

Na Alepe, a situação escalou para um nível de beligerância onde nem os próprios deputados parecem saber qual o próximo passo jurídico ou regimental. A disputa pelo controle do orçamento — o cerne da sobrevivência de qualquer gestão — transformou a Casa de Joaquim Nabuco em um tabuleiro de xadrez enviesado.

O episódio da última quinta-feira (25) foi emblemático: aproveitando a ausência da cúpula da Casa (Álvaro Porto e Rodrigo Farias), governistas tentaram uma manobra para aprovar o remanejamento de 20% do orçamento. A reação foi imediata e igualmente truculenta do ponto de vista político, com o vice-presidente desfazendo os atos assim que pisou no plenário.

Confusão na Alepe

Nesta quarta (31), o nível de confusão subiu um degrau. Mudar local de comissão em cima da hora, abrir reuniões simultâneas e duas sessões da Comissão de Justiça com poucos minutos de diferença – uma governista e outra oposicionista –, para tentar vencer pelo cansaço ou pelo drible é uma tática que apequena o Legislativo. Embora o reajuste dos professores tenha sido aprovado em meio ao caos, o saldo é de uma Alepe paralisada e confusa, onde a troca de acusações graves e abertas são lançadas de lado a lado.

Se na Alepe a guerra é aberta e regimental, na Câmara do Recife o tom foi o do confronto direto e da desordem urbana, nesta quarta-feira. A discussão sobre o reajuste dos servidores municipais foi tomada por um movimento organizado para provocar o caos. No plenário da Casa de José Mariano, o uso de apitos para tornar o ambiente “insalubre” e as galerias como claque política impediram o debate.

O cenário externo foi ainda mais grave. É inadmissível que, em nome de um protesto por reajuste, manifestantes utilizem uma logística estruturada — com pneus levados para o local por um carro que levava um reboque — para atear fogo em vias públicas e impedir o direito de ir e vir do cidadão, que não tem relação com o embate. Quando o protesto deixa de ser uma reivindicação trabalhista para se tornar um instrumento de briga política, ele perde sua legitimidade ética.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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