O comando estadual do PT se reúne no próximo sábado (28) para discutir a tática eleitoral para as eleições de 2026, incluindo a construção da chapa majoritária para governador e Senado. O debate ocorre 10 dias depois do anúncio, no dia 18, da chapa do pré-candidato ao governo João Campos (PSB), que terá Carlos Costa (Republicanos) na vice e Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) ao Senado. O lançamento oficial no Recife foi na última sexta-feira (20) e poderia ter sido com mais pompa, não fosse a ausência do petista, que alegou já ter assumido compromissos anteriormente e que a instância estadual do partido ainda iria se reunir para debater a questão. A frustação, incluive de petistas, com a ausência de Humberto no ato, era perceptível.
Todo partido tem seu rito. E o PT sempre seguiu o seu, tanto que instala a cada eleições o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE). E mesmo que toda a costura da chapa tenha sido para maior instância da legenda, liderada pelo presidente nacional, Edinho Silva, é justo que Humberto tenha a cautela de aguardar a definição da estadual da sigla.
No entanto, a ausência de animação e, até, um certo desdém ao comentar a indicação não fica legal. “Essa proposta foi elaborada, surgiu, mas o PT não discutiu esse assunto. O PT vai discutir agora no dia 28″, afirmou Humberto a uma rádio de Serra Talhada citada pelo JC, na última sexta-feira (20).
Humberto e as muitas interpretações
Essa postura de Humberto desanima a militância e dá uma robusta margem a todo tipo de interpretação. Cada aliado da Frente Popular faz a sua interpretação. “Não gostou de a decisão ter vindo de cima (de Brasília)”. “Não gostou de ter Marília Arraes na chapa”. “Ele não gosta de João Campos”. “A conversa entre ele e João Campos fui muito dura”. “Ele vai ser candidato a deputado federal”. “Tá fazendo o jogo de Raquel”. Nos bastidores da política, cada um tem a sua teoria. Todas elas fazem sentido? Até fazem. Mas não dá para julgar a veracidade e a intensidade de cada uma delas.
O certo é que o bombardeio de versões já prejudica Humberto. Entusiastas da futura chapa perderam um pouco do ímpeto e criticam a postura. E até petistas não concordam com o modo de agir.
A reunião do diretório estadual do PT tende a formalizar o que foi definido pela instância nacional, pacificando qualquer divergência interna e dando um encaminhamento institucional à posição da legenda de apoio a João Campos. A definição sobre a participação de Humberto Costa, ao lado de Marília Arraes, deve sair com uma posição clara do partido, e deve servir para reduzir os ruídos políticos que só aumentam desde o anúncio da composição.
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