Orquestrão leva público até o amanhecer no Marco Zero

Marco Zero encerra o Carnaval do Recife 2026 com maracatus, Elba, Alceu, Geraldo e Orquestrão de Spok até o amanhecer

O Marco Zero concentrou, na noite de encerramento do Carnaval do Recife 2026, seis atrações que percorreram do maracatu ao frevo, passando pela MPB nordestina e pelo brega. A programação da terça-feira (17) levou ao palco artistas como Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo, além do Maestro Spok, que comandou o Orquestrão até o dia rair.

A abertura ficou por conta do Encontro de Maracatus de Baque Solto, manifestação tradicional da Zona da Mata Norte. Em seguida, a cantora Nena Queiroga deu sequência à programação. Na reta principal da noite, Geraldo, Elba e Alceu conduziram o repertório que marcou diferentes gerações da música nordestina. O encerramento ocorreu já na madrugada, com o Orquestrão, conjunto formado por dezenas de músicos de sopro e percussão sob regência de Spok.

Segundo dados da Prefeitura do Recife, o Carnaval 2026 contou com dezenas de polos descentralizados e programação distribuída em vários bairros, mantendo o Marco Zero como principal palco, concentrando parte expressiva do público ao longo dos dias de festa.

Cultura popular no Marco Zero

O Encontro de Maracatus de Baque Solto abriu a programação com desfile de nações de diferentes municípios. O baque solto é um dos ritmos do maracatu rural, caracterizado pelo uso de orquestra de metais, caboclos de lança e personagens como reis e rainhas. Diferentemente do baque virado, mais associado ao Recife e a Olinda, o baque solto tem origem na Zona da Mata e estrutura musical própria, com andamento e instrumentos específicos.

A assistente social Renata Holanda, 41, moradora de Petrolina, chegou ao Marco Zero às 15h30 com a mãe, 63, e a filha, de 14 anos. O Encontro de Maracatus de Baque Solto foi o gatilho da emoção logo no início.

“Me sinto contemplada cada vez que assisto ao baque solto, é espiritualidade pura. Mas ficar para Elba e Alceu foi o que me arrebatou definitivamente. Tenho apreço especial por esses dois ícones. Ver minha filha cantando ‘Morena Tropicana’ junto comigo pela primeira vez… isso não tem preço”, declarou.

MPB nordestina

Geraldo Azevedo e Elba Ramalho conduziram repertório associado à produção musical nordestina das décadas de 1970 e 1980, com canções que dialogam com ritmos regionais e música popular brasileira. Alceu Valença apresentou sucessos que mantêm presença recorrente em programações carnavalescas do Estado.

O engenheiro Lucas Santana, 32, veio de Caruaru com quatro amigos especialmente para a celebração de encerramento. Eles se articularam assim que a programação foi divulgada.

“Quando Alceu sobe no palco, aquilo tem um peso completamente diferente. Mas o que me impressiona é a diversidade: maracatu, MPB nordestina, frevo… É Pernambuco inteiro num único espaço. Daí vem a nossa admiração por esse festejo”, afirmou.

Frevo até o amanhecer

O Orquestrão assumiu a programação já na madrugada, sob regência do Maestro Spok. O frevo, ritmo criado no fim do século XIX e reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, é marcado por andamento acelerado, predominância de instrumentos de sopro e coreografias com sombrinhas coloridas.

O professor aposentado Severino Ramos, 68, morador de Natal (RN), afirmou acompanhar o encerramento no Marco Zero há 15 anos. “Isso representa a nossa essência. Sou bairrista, regionalista convicto, danço frevo desde pequeno. Enquanto houver música nesse espaço, permanecerei até o final. Tenho dó de quem se ausentou dessa terça, porque perdeu algo que não volta mais este ano. Mas quem esteve aqui sabe: o Recife sempre entrega”, declarou.

A concentração no Marco Zero até o amanhecer reforça o modelo adotado pela gestão municipal de manter grandes nomes da música regional e nacional no encerramento, combinando tradição e atrações de amplo alcance popular, estratégia que impacta diretamente a ocupação da rede hoteleira, o comércio e os serviços no período carnavalesco.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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