A vereadora Eugênia Lima (PT) anunciou a sua saída da Comissão Permanente do Carnaval de Olinda, tecendo duras críticas à gestão municipal da prefeita Mirella Almeida e apontando falhas de transparência, organização e cumprimento de compromissos no funcionamento do colegiado. A decisão foi comunicada em nota pública divulgada à sociedade olindense e ocorre às vésperas do período carnavalesco da cidade.
Na nota, ela afirma que a comissão “tem funcionado de maneira pouco transparente e sem respeito aos princípios democráticos”, destacando que “os temas das reuniões não são definidos de forma coletiva entre seus integrantes, as relatorias não são enviadas, e os encaminhamentos não se convertem em compromissos com prazos definidos, o que inviabiliza o acompanhamento e a efetividade das deliberações”.
A vereadora também registra que o núcleo coordenador “nunca apresentou uma proposta de regimento interno para o funcionamento da mesa, apesar de esse ter sido um compromisso pactuado na primeira reunião da Comissão”. Segundo o texto, “a ausência de regras mínimas de funcionamento compromete a organização dos trabalhos, fragiliza o processo decisório e esvazia o caráter institucional da Comissão”.
Eugênia critica condução
No documento, Eugênia Lima informa que a última reunião do colegiado ocorreu em 2 de dezembro de 2025 e que, desde então, não houve retomada das atividades, mesmo com a proximidade do Carnaval. “Estamos a menos de um mês do Carnaval, com as prévias se intensificando a cada dia, sem que a Comissão cumpra seu papel de debate, planejamento, escuta e monitoramento das políticas públicas relacionadas à maior manifestação cultural da cidade”, afirmou.
Eugênia Lima acrescenta que “a ausência de reuniões, somada à falta de organização, de regras claras e de diálogo, demonstra descaso com os trabalhadores e trabalhadoras do Carnaval, com os blocos, artistas, agremiações, moradores e com a própria cidade de Olinda”. Apesar da saída, reforçou que a decisão “não representa, em hipótese alguma, um afastamento da pauta do Carnaval” e que o mandato seguirá atuando na fiscalização e na cobrança por planejamento e responsabilidade.
A Comissão Permanente do Carnaval é um espaço institucional da Câmara Municipal voltado ao acompanhamento e debate das políticas públicas relacionadas à festa, funcionando como instância de escuta de fazedores de cultura, moradores, trabalhadores e gestores. A ausência de regimento interno — documento que define regras de funcionamento, competências e procedimentos — reduz a previsibilidade das decisões e limita o controle social sobre as ações do poder público.
Balanço do mandato
Após tornar pública a saída da comissão, Eugênia Lima também anunciou a realização de um evento de prestação de contas do primeiro ano de mandato. Será nesta quinta-feira (29), a partir das 18h30, no Clube Vassourinhas, no Largo do Amparo, e reunirá imprensa, moradores, apoiadores e integrantes da equipe do gabinete.
O encontro marcará o balanço das principais ações desenvolvidas ao longo de 2025. De acordo com dados do mandato, foram aprovadas oito leis na Câmara Municipal de Olinda, entre elas a que garante a distribuição de material de proteção para trabalhadores informais durante o Carnaval. Além das matérias já sancionadas, o gabinete mantém sete projetos em tramitação no Legislativo.
No campo da atuação parlamentar, a vereadora apresentou 204 requerimentos solicitando obras, manutenção urbana e serviços públicos em diferentes bairros. O mandato também promoveu seis audiências públicas, realizou sete edições de gabinete itinerante e organizou 11 encontros do programa “Fala, Olinda”, voltados à escuta direta da população.
Entre as iniciativas de participação social, o gabinete destaca a campanha “Cabe Todo Mundo no Carnaval”, que resultou em 757 demandas coletadas por meio de formulário online, encontros presenciais, oficinas e seminário. Segundo o mandato, o material reunido vem sendo utilizado como base para proposições legislativas e para cobranças formais ao Executivo municipal, conectando a atuação parlamentar às necessidades relatadas por trabalhadores da cultura, moradores e blocos.
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