João Campos encerra gestão no Recife e inicia pré-campanha ao governo

João Campos se despede da Prefeitura do Recife, apresenta balanço da gestão, cita legado político e confirma pré-candidatura ao Governo de Pernambuco.

“Esta é a última vez que vocês vão me ouvir discursando como prefeito”. Foi com essa frase que o prefeito do Recife, João Campos, iniciou, nesta quinta-feira (2), o seu discurso de pouco mais de meia hora na inauguração do Hospital da Criança do Recife, último e mais importante compromisso oficial de uma maratona de inaugurações e entregas iniciadas dias antes. Foi um dia intenso e de despedidas, iniciado no início da tarde com a entrega da última etapa do Parque Governador Eduardo Campos. Nos discursos, referências ao pai Eduardo Campos e ao bisavô, Miguel Arraes, ambos ex-governadores de Pernambuco.

Após o ato no Hospital da Criança, ele entregou a carta de renúncia ao presidente da Câmara do Recife, Romerinho Jatobá. Agora, João Campos vai se dedicar à campanha pelo Governo do Estado.

Ao longo do dia, o que se viu foram discursos que misturaram memória, legado e projeção de futuro. Na entrega da segunda etapa do parque que leva o nome do pai, João Campos retomou episódios históricos para situar sua própria trajetória. Lembrou o retorno de Miguel Arraes do exílio, quando o avião que o trazia aterrissou na pista do antigo Aeroclube do Pina, onde foi erguido o parque, e o simbolismo do território onde hoje se ergue o equipamento público. Ao mesmo tempo, projetou o que pretende fazer adiante.

“Eu vou fazer o que eu vi Eduardo fazer, mas eu vou fazer também o que ele não conseguiu fazer. Fazer o que não deu tempo, onde ele não conseguiu chegar”, afirmou.

O discurso, ainda durante a agenda da tarde, foi também de transição administrativa. Ao dirigir-se ao vice-prefeito Victor Marques, que assume o comando da cidade, estabeleceu tarefas concretas e indicou continuidade de projetos estruturadores. “Victor, você vai ter a oportunidade nesses próximos meses de colocar (…) o Parque da Ladeira lá no Ibura”, disse, ao detalhar uma das obras planejadas para áreas com alta densidade populacional.

Despedida

O tom emocional apareceu de forma mais explícita quando o prefeito tratou da saída do cargo. Sem recorrer a adjetivos, mas com referências pessoais e institucionais, descreveu o sentimento ao encerrar o ciclo.

“No coração, um misto de emoção, muita alegria, muita esperança, muita vontade de trabalhar e o sentimento de olhar pelo retrovisor e ver o dever cumprido. Olhar para o para-brisa e ver o futuro que está por vir”, declarou.

A fala foi acompanhada de agradecimentos à família, à equipe de gestão e aos trabalhadores envolvidos nas obras entregues. Em um dos trechos, destacou a dimensão coletiva da gestão. “Sem o nosso time entrosado, jogando junto, a gente não tinha feito o que a gente fez.”

Legado e números

Já no Hospital da Criança do Recife, última agenda administrativa dos seus dois mandatos como prefeito do Recife, João Campos estruturou o discurso em torno de entregas e indicadores acumulados em 5 anos, 3 meses e 2 dias de gestão. Citou a ampliação da cobertura de saúde, a contratação de profissionais e o volume de atendimentos realizados.

“Saímos de cerca de 100 mil consultas médicas por ano para mais de 1 milhão de consultas. Ampliamos a cobertura de saúde da família de 39% para mais de 70%”, afirmou.

Também mencionou intervenções urbanas, políticas habitacionais e geração de empregos, além da construção de equipamentos públicos. Ao tratar especificamente do hospital, detalhou a capacidade da unidade. “A gente aqui vai ter mais de 500 mil procedimentos por ano, 26 especialidades e mais de 50 mil exames e consultas por mês.”

João cita referências familiares

Os discursos foram atravessados por referências familiares, sobretudo ao pai, Eduardo Campos. João resgatou ensinamentos e episódios que, segundo ele, orientaram decisões de governo. “Governar exige coragem”, relembrou, ao citar conselho recebido de um aliado próximo ao ex-governador.

Também associou decisões estruturais da gestão à inspiração em políticas anteriores, conectando sua administração a uma linha histórica da política pernambucana.

No último ato, já com a carta de renúncia assinada, João Campos explicitou o movimento político que inicia a partir de agora. Como pré-candidato ao Governo de Pernambuco, afirmou que pretende expandir para o estado ações implementadas na capital.

“Não ficará só no Recife. Não adianta a criança do Recife ter um equipamento como esse e chegar em outra cidade e não ter um igual”, disse.

A fala reforça a estratégia de utilizar entregas municipais como base para a campanha estadual, destacando políticas públicas replicáveis.

Encerramento de ciclo

Ao final, o discurso assumiu caráter de balanço e transição. João Campos afirmou encerrar o mandato com sentimento de realização e projetou continuidade do trabalho em outra escala. “Eu não vim ao mundo descansar, eu vim trabalhar e servir.”

A carta de renúncia formalizou o fim de um ciclo iniciado em 2021, quando assumiu a prefeitura aos 26 anos. A partir desta sexta-feira (3), segundo declarou, inicia agendas pelo interior do estado, marcando o início de uma nova etapa na trajetória política.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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