Depois de uma longa e cansativa sessão, a bancada governista na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) acusou o presidente da Casa, Álvaro Porto, de atropelar o Regimento Interno e agir com autoritarismo. O embate, ocorrido nesta terça-feira (31), expôs a fratura entre a Mesa Diretora e as parlamentares leais à governadora Raquel Lyra, que denunciam uma tentativa sistemática da oposição de travar pautas vitais para o estado.
O clima pesou logo no início da sessão, quando o deputado Izaías Régis apontou discrepâncias entre a ata oficial da Secretaria-Geral e o documento entregue para leitura em plenário, referente à sessão de 26 de março. A reação de Álvaro Porto foi descrita como “dura” e “inadequada” pela base do governo. O presidente chegou a afirmar que “quem define aqui é a presidência”, pedindo que Izaías Régis deixasse a mesa sob acusação de que os governistas estariam tentando obstruir votações como a da Lei Orçamentária Anual (LOA).
Socorro vê desrespeito de Álvaro
A líder do governo na Casa, deputada Socorro Pimentel, não poupou críticas à condução dos trabalhos. Para ela, o episódio configura um desrespeito histórico, ocorrendo às vésperas do aniversário de 191 anos da instituição.
“É preciso registrar nosso repúdio à forma como o presidente Álvaro Porto conduziu a sessão, rasgando o regimento da Casa. Houve uma postura de constranger e intimidar o deputado Izaías Régis, interferindo diretamente na autonomia individual do parlamentar”, declarou Pimentel.
A deputada ressaltou ainda que a oposição utiliza artifícios regimentais para prejudicar a população. Ela citou como exemplo projetos que modificam o orçamento e que já tramitam há mais de 80 dias sem a devida apreciação em plenário.

Débora: “Ditadura da Minoria”
No mesmo sentido, a deputada Débora Almeida classificou a postura de Álvaro Porto como inadmissível e prejudicial aos investimentos em Pernambuco. Segundo Almeida, a Mesa Diretora tem falhado em garantir um ambiente democrático.
“Assistimos, mais uma vez, a Constituição e o Regimento sendo rasgados. A gente viu aqui uma ditadura da minoria. A condução do presidente desta Casa tem sido recorrentemente inadequada, sem consultar o regimento e sem respeitar os deputados eleitos”, disparou a parlamentar.
Impacto nas pautas estaduais
A tensão política na Alepe coloca em xeque a celeridade de pautas urgentes. Enquanto a oposição acusava, durante a sessão, o governo de travar reajuste de professores, a base governista rebatia afirmando que é a própria Mesa Diretora quem cria obstáculos para a votação de matérias essenciais, como o orçamento estadual e o projeto nº 3694/2026, cujas informações de aprovação teriam sido omitidas durante a polêmica leitura da ata por Romero Albuquerque.
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