O Consórcio Nordeste lançou, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a campanha “Compromisso Nordeste Pelo Fim da Violência Contra a Mulher – Prevenir é agir. Proteger é fortalecer. Responsabilizar é transformar”. A iniciativa reúne os nove estados da região em uma estratégia conjunta para ampliar políticas públicas de prevenção e proteção a mulheres e meninas.
A campanha busca fortalecer as redes estaduais de atendimento, ampliar a divulgação dos canais de denúncia e estimular a identificação precoce de sinais de violência. A proposta também inclui ações voltadas ao público masculino, com foco na responsabilização e na prevenção de comportamentos abusivos.
Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o Brasil registrou 1.547 vítimas de feminicídio em 2025, média de quatro mortes por dia. No Nordeste, foram 425 casos no mesmo período, o equivalente a mais de uma vítima por dia.
Mobilização do Consórcio Nordeste
Presidente do Consórcio Nordeste e governador de Alagoas, Paulo Dantas afirmou que a iniciativa integra um pacto de atuação contínua entre os estados da região.
“O Nordeste se une ao pacto nacional para proteger a vida das mulheres. Esta campanha não será restrita apenas a datas pontuais. Ela é o marco inicial de uma ação contínua que busca ampliar o potencial das nossas vozes e ações para interromper o ciclo de violência contra a mulher, trazendo mais informações, ampliando nossa rede de proteção e, especialmente, atuando para mudar a cultura predominante em nossa sociedade, pois não podemos mais normalizar comportamentos abusivos”, declarou.
Os dados mais recentes indicam que o problema permanece em alta. Em janeiro de 2026, o sistema registrou 33 vítimas de feminicídio no Nordeste, reforçando a necessidade de ações coordenadas entre os estados.
Mudança cultural
Coordenadora da Câmara Temática de Mulheres do Consórcio Nordeste e secretária da Mulher e da Diversidade Humana da Paraíba, Lídia Moura destacou que a campanha também busca ampliar o diálogo com os homens.
“Os dados da violência contra a mulher mostram que a agressão vem, predominantemente, de alguém do sexo masculino, e nossa campanha traz um recorte importante de diálogo com os homens. Estamos chamando-os para que assumam seu papel nessa desconstrução cultural, pois só com a responsabilização e o engajamento de toda a sociedade iremos conseguir vencer a misoginia e proteger a vida das nossas mulheres e meninas”, afirmou.
Segundo o Consórcio, a articulação regional permitirá unificar a comunicação das políticas públicas já desenvolvidas pelos estados, ampliando o alcance das iniciativas e a integração das redes de atendimento.
Eixos da campanha
A campanha foi estruturada em três eixos de atuação:
- Prevenir é agir: ações de informação e orientação sobre violência de gênero;
- Proteger é fortalecer: divulgação de canais de denúncia e da rede de acolhimento;
- Responsabilizar é transformar: mobilização social com foco na participação masculina na prevenção da violência.
Identificação precoce da violência
A estratégia também busca ampliar a compreensão de que a violência contra a mulher ocorre em ciclos. O feminicídio — termo que define o homicídio motivado por violência de gênero — é considerado o estágio final de um processo que pode envolver controle, ameaças, humilhações, violência psicológica e agressões físicas.
A campanha orienta mulheres e comunidades a reconhecer sinais iniciais de abuso e buscar apoio antes da escalada da violência.
Ações nos estados
Além das redes sociais, a mobilização prevê um eixo territorial, com atividades presenciais organizadas pelos governos estaduais. Entre as iniciativas previstas estão:
- mutirões de atendimento jurídico e psicossocial;
- rodas de conversa sobre participação masculina na prevenção da violência;
- atividades educativas em escolas e universidades.
O objetivo é ampliar o acesso às políticas públicas de proteção e aproximar os serviços das comunidades.
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