A Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para investigar denúncia de monitoramento contra o secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro. A abertura da apuração ocorre após determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que mandou analisar a existência de “elementos mínimos que indiquem a possível prática de infrações penais”. A informação foi divulgada na coluna Radar, da Veja, e é assinada pelo jornalista Daniel Gullino
A decisão foi tomada depois que a PF concluiu a etapa preliminar de análise solicitada pelo Supremo. Com isso, o caso deixa o campo da verificação inicial e passa à fase formal de investigação, com coleta de documentos, oitivas e diligências.
A denúncia envolve suposta atuação de agentes da Polícia Civil de Pernambuco, que teriam realizado rastreamento do secretário municipal. A oposição denuncia investigação ilegal.
STF determinou análise da PF
O caso veio a público após denúncia de que Gustavo Queiroz Monteiro teria sido alvo de monitoramento enquanto exercia funções na articulação política do município. A denúncia foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, que determinou a análise pela PF.
No despacho, o ministro Gilmar Mendes não reconheceu de imediato a existência de crime, mas autorizou a verificação da presença de indícios suficientes para justificar investigação. A formalização do inquérito indica que a corporação identificou elementos que demandam apuração aprofundada.
O episódio ampliou a tensão entre a Prefeitura do Recife e o Governo de Pernambuco. O prefeito João Campos (PSB) criticou publicamente o suposto monitoramento e cobrou esclarecimentos sobre eventual uso da estrutura policial estadual para acompanhar integrante da gestão municipal.
A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, responsável pela Polícia Civil, por sua vez, afirmou que atuou dentro dos limites legais e que eventuais procedimentos seguem protocolos técnicos. O órgão não reconheceu irregularidade.
Cenário eleitoral mais acirrado
A investigação ocorre em um momento da pré-campanha da disputa pelo Governo do Estado. João Campos é apontado como provável candidato de oposição ao Governo de Pernambuco. Do outro lado está a governadora Raquel Lyra (PSD), que deve buscar a reeleição.
A abertura do inquérito pela Polícia Federal desloca o caso para a esfera federal e retira, ao menos nesta fase, a condução da apuração das autoridades estaduais. O andamento seguirá sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.
O inquérito não representa conclusão sobre responsabilidade, mas autoriza a produção de provas e a análise técnica dos fatos. Ao final, o relatório poderá resultar em denúncia ao Ministério Público ou arquivamento, conforme os elementos reunidos.
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