O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) iniciou um novo ciclo administrativo com a posse do desembargador presidente Francisco Bandeira de Mello, que assume o comando do Judiciário estadual para o biênio 2026-2028. A cerimônia ocorreu no Palácio da Justiça, no Recife, reunindo representantes dos Três Poderes e de instituições do sistema de Justiça.
No discurso de posse, o novo presidente destacou como eixo central da gestão o aproveitamento eficiente da força de trabalho, a reorganização de recursos humanos e o uso ampliado de tecnologia da informação, incluindo ferramentas de inteligência artificial generativa, com o objetivo de ampliar a produtividade e reduzir gargalos processuais.
Segundo Bandeira de Mello, o foco será identificar entraves administrativos e judiciais que impactam diretamente a capacidade de magistrados e servidores. “Identificar os pontos de estrangulamento dos fluxos processuais e administrativos, mapear as dificuldades, individuais e coletivas, materiais ou imateriais, que tenham o potencial de repercutir na capacidade de trabalho de magistrados e servidores, para daí construir soluções indutoras de ganhos globais de eficiência. Esse é o foco principal: construir soluções indutoras de ganhos globais de eficiência”, afirmou.
Relatório da gestão anterior
Antes da posse, o ex-presidente do TJPE, desembargador Ricardo Paes Barreto, apresentou um relatório em vídeo com as principais ações do biênio 2024-2026, estruturadas nos eixos de Eficiência, Humanização e Inovação.
No discurso, Paes Barreto destacou a trajetória de mais de duas décadas no Tribunal e o perfil conciliador da gestão. “Conversamos com todos: órgãos de Poder, produtores rurais, forças militares e policiais, patrões e empregados de diversas áreas, situação e oposição, não discriminamos ninguém”, afirmou.
Ao se despedir do cargo, ressaltou a relação institucional com os demais Poderes e com a imprensa. “A necessária liberdade dos nossos julgamentos imperou, a nossa relação com os Poderes foi intensa e amplamente transparente com a mídia pernambucana”, disse, ao formalizar a transmissão da Presidência.
A nova mesa diretora
Após a leitura do Compromisso Regimental, presidente Francisco Bandeira de Mello assinou o Termo Constitucional de Posse e conduziu o juramento dos demais integrantes da mesa diretora:
- 1º vice-presidente Alberto Nogueira Virgínio
- 2º vice-presidente Fausto de Castro Campos
- corregedor-geral da Justiça Alexandre Guedes Alcoforado Assunção
Em nome da Corte, o desembargador Mauro Alencar destacou a continuidade administrativa e institucional. “O tribunal viveu um período de estabilidade, avanços administrativos e fortalecimento institucional. Inicia-se hoje um novo ciclo que não rompe com o passado recente, mas o honra e lhe dá continuidade”, afirmou.
Autoridades presentes ao TJPE
A solenidade contou com a presença da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra; do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Álvaro Porto; do prefeito do Recife, João Campos; do comandante Militar do Nordeste, general Carlos Machado; do ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula; do procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Pernambuco, José Paulo Xavier; e da presidente da OAB Pernambuco, Ingrid Zanella.
Ao se pronunciar, Ingrid Zanella ressaltou a importância institucional do momento. “A renovação de uma mesa diretora representa a reafirmação de compromissos institucionais profundos com o acesso efetivo à justiça. O acesso formal e o acesso material”, afirmou.
Relação entre os Poderes
Em nome do Executivo estadual, a governadora Raquel Lyra destacou a necessidade de harmonia institucional. “A harmonia entre os Poderes não é um gesto protocolar, é um princípio constitucional e uma exigência prática para quem governa com seriedade”, disse.
Já o procurador-geral de Justiça José Paulo Xavier destacou o perfil do novo presidente. “Magistrado de perfil virtuoso, culto e sereno, cortês e discreto. Tudo isso o credencia para o bom desempenho desse novo desafio”, afirmou.
Tecnologia e inteligência artificial
No discurso final, Francisco Bandeira de Mello detalhou os instrumentos que pretende utilizar para ampliar a eficiência do Judiciário. Segundo ele, o investimento em tecnologia — como o Processo Judicial Eletrônico (PJe), sistema digital que substituiu os autos físicos — e o uso responsável da inteligência artificial generativa serão fundamentais.
“A utilização maciça de ferramentas de tecnologia de informação, na atividade-fim e na atividade-meio, além do uso da inteligência artificial generativa, são instrumentos poderosos de apoio aos magistrados e às suas assessorias. Não decide nem julga, mas, se bem utilizada, ajuda a produzir mais e melhor”, afirmou.
Ao encerrar, o presidente reforçou o compromisso ético da gestão. “Rogo a Deus que me dê a serenidade, a lucidez e a firmeza necessárias para exercer a nobilíssima função a mim confiada”, concluiu.
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