A expectativa era de uma sessão agitada, com confronto entre as bancadas de Governo e oposição, com debate sobre o pedido de imepachment do prefeito João Campos. A realidade foi uma abertura do novo período legislativo na Câmara do Recife morno, protocolar, com a ausência do prefeito João Campos e do vice, Victor Marques. Sobrou para o secretário de Planejamento, Jorge Vieira. Fora do script, apenas um princípio de tumulto quando o representante da PCR ingressava no plenário. Fazendo uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o vereador Eduardo Moura tentou fazer perguntas, colocando o celular na frente do secretário. Os vereadores da base governista trataram de afastá-lo.
Após o breve tumulto inicial e a execução do Hino de Pernambuco, o secretário de Planejamento do Recife, Jorge Vieira, fez a leitura da mensagem anual do prefeito João Campos (PSB). Em seguida, os líderes das bancadas de Governo e de oposição ocuparam a tribuna para os pronunciamentos regimentais. Toda a sessão foi encerrada em menos de 30 minutos.
Referência ao governo do Estado
No discurso em nome da base governista, o líder do Governo na Câmara, vereador Samuel Salazar (MDB), desviou o foco do debate municipal e fez críticas diretas ao Governo do Estado. Sem citar nomes, o parlamentar mencionou a existência de uma suposta “estrutura clandestina”, em referência ao monitoramento de um secretário da Prefeitura do Recife pela Polícia Civil de Pernambuco, caso que ganhou repercussão política nas últimas semanas.
“A gestão do Recife nunca temeu a verdade; ao contrário, sempre defendeu que os fatos sejam apurados com transparência. O que não pode existir é uma estrutura paralela, prática clandestina e desvio de finalidade, apenas e tão somente com objetivo eleitoral”, disse.
Oposição critica ausência do prefeito na Câmara
Pela oposição, o líder Felipe Alecrim utilizou seu tempo para criticar a ausência do prefeito João Campos na abertura do ano legislativo, apesar da sessão tratar diretamente de um pedido de impeachment contra o chefe do Executivo municipal.
“É um desprestigio à Casa. Falta de respeito, inclusive. Com tantos vereadores aqui que o defendem, que defendem o seu projeto e sua gestão”, afirmou o vereador, ao se referir ao prefeito do Recife.
Após a sessão, quando questionado sobre o pedido de impeachment apresentado pelo vereador Eduardo Moura, o presidente da Câmara do Recife, vereador Romerinho Jatobá (PSB), afirmou que o Legislativo seguirá o rito previsto em lei, mas antecipou que a proposta não deve prosperar na Casa.
“A gente bota o pedido de impeachment como manda o decreto-lei, cumpre o papel regimental da Casa. Eu, enquanto presidente, tenho que cumprir, mas a gente tem convicção de que não passa esse impeachment, que é mais uma pirotecnia. Não existem indícios para isso. Então a gente cumpre o que a lei manda, mas com certeza o plenário vai deliberar contra o impeachment”, enfatizou.
Apesar de minimizar o mérito do pedido, o presidente admitiu preocupação com o ambiente da sessão que irá apreciar a matéria, especialmente quanto à presença de público nas galerias.
“A gente está se preparando (para as manifestações das galerias), já convocamos a Guarda Municipal, o policiamento. Vamos tentar fazer um controle de acesso, mas espero que as pessoas venham para cá com o senso de responsabilidade. O que se vota aqui é um pedido de impeachment colocado por um vereador e apoiado por um grupo de vereadores, mas que isso não é motivo para ninguém estar se degladiando aqui”, disse, ao apelar por uma sessão sem confrontos físicos.
Tumulto no início
Como determina o protocolo da Casa, o presidente Romerinho Jatobá designou uma comissão de vereadores para conduzir o secretário Jorge Vieira até o plenário, para compor a mesa diretora da sessão. Nesse momento, o vereador Eduardo Moura voltou a ligar a câmera do celular e aguardou o secretário na porta do plenário, com a intenção de fazer questionamentos diretos.
A estratégia já havia sido utilizada pelo parlamentar no ano anterior, quando tentou abordar o prefeito João Campos em situação semelhante. Desta vez, Moura chegou a subir à Mesa Diretora, sendo contido por outros vereadores, inclusive pelo próprio presidente da Casa.
Ao retomar o controle da sessão, Romerinho Jatobá fez um pedido público de desculpas ao representante do Executivo municipal. “Me antecipo e peço desculpas ao secretário Jorge Vieira, pela forma como foi abordado, deselegante, por algum colega nosso”, declarou.
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