STF coloca PF em caso no Recife e eleva tensão entre Raquel e João

Plenário Virtual do STF formou maioria em favir da decisão de Flávio Dino, que determinou nova eleição na Alepe Foto Antonio Augusto STF

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, de determinar que a Polícia Federal apure a atuação da Polícia Civil de Pernambuco em uma investigação contra servidores da Prefeitura do Recife ampliou o embate político entre o Governo do Estado e a gestão municipal, colocando em lados opostos a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), em meio ao ambiente pré-eleitoral de 2026 já bastante acirrado.

A determinação do STF ocorre após três meses de apuração conduzida por um grupo formado por três delegados e sete agentes da Polícia Civil, a partir de denúncia anônima que apontava suposto recebimento de propina por parte do secretário municipal de Articulação e Política Social, Gustavo Monteiro, e de seu irmão, Eduardo Monteiro, assessor da Prefeitura do Recife. Ao final do período investigativo, nenhuma irregularidade foi comprovada.

A investigação, no entanto, vazou para a imprensa, levando a acusações públicas de perseguição política por parte da oposição ao governo estadual. O Governo de Pernambuco nega qualquer orientação nesse sentido.

Raquel rejeita perseguição

No mesmo dia da decisão do STF, a governadora Raquel Lyra divulgou um vídeo em suas redes sociais no qual rebateu as acusações de perseguição política e defendeu a autonomia da Polícia Civil de Pernambuco.

“Liderar é ter coragem e responsabilidade de explicar com a verdade aquilo que tem de ser dito. Não existe em Pernambuco orientação de perseguir quem quer que seja. Por outro lado é importante dizer que sob meu comando nada e nem ninguém deixará de ser investigado, se houver indícios suficientes para isso. Eu trato esse assunto com serenidade porque foi sempre assim que eu conduzir a vida pública. Com respeito às leis, as instituições e, principalmente, a verdade”, declarou.

A governadora enfatizou que a Polícia Civil é uma instituição de Estado. “A Polícia Civil de Pernambuco é uma instituição de estado com autonomia e responsabilidade funcional. Ela não pertence a governo, não serve a interesses políticos e jamais será instrumento de ninguém. Não é hora de distorcer fatos e nem de transformar um tema técnico em palco eleitoreiro. Eu sigo fazendo aquilo para qual fui eleita: governar, trabalhar”, afirmou.

Raquel Lyra também citou ações na área de segurança pública, informando investimentos na compra de armamentos, novas viaturas e a contratação de 7 mil novos policiais até o final deste ano. “Pernambuco precisa de governo e não de barulho”, concluiu.

João Exalta posição do STF

Após a decisão do STF, o prefeito do Recife, João Campos, também utilizou as redes sociais, na noite de sábado (31), para destacar a atuação da Polícia Federal e criticar a condução da investigação pela Polícia Civil.

“A Polícia Federal agora está no caso. Decisão Supremo Tribunal Federal chega para fazer justiça. A PF agora está autorizada a investigar a ação clandestina de monitoramento e de espionagem ilegal conduzida pela Polícia Civil. É hora de Pernambuco saber: quem deu a ordem? A quem interessou agir à margem da lei? Por que fazer isso em pleno ano eleitoral?”, afirmou.

O prefeito ressaltou que defende investigações, desde que respeitados os limites legais. “Desde o primeiro momento, alertei para a gravidade da situação. Sou favorável que toda investigação seja feita, desde que ela cumpra o que prevê a legislação. Como a própria decisão do STF traz, Pernambuco e o Brasil não podem assistir a nenhum tipo de vigilância com finalidade política”, acrescentou.

João Campos também destacou que a participação da Polícia Federal será determinante para esclarecer os fatos. “Atos assim não podem ficar impunes. A participação da Polícia Federal será decisiva para apurar, investigar e chegar até o final de um processo que só teve de formal um grupo no WhatsApp. Volto a registrar o meu respeito pela Polícia Civil, que nunca poderá ser transformada em polícia paralela ou em polícia política”, disse.

O prefeito concluiu afirmando que não será conivente com irregularidades. “Não serei, sob nenhuma hipótese, conivente com quem aceita a atitude ilegal e clandestina de estimular a perseguição eleitoral. Tenho certeza de que a verdade vai prevalecer. Para que a pessoa que deu a ordem seja devidamente responsabilizada e para que a confiança nas instituições seja preservada.”

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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