Saída de Gilson Machado força o PL a repensar 2026

Anderson Ferreira e Gilson Machado sempre viveram uma relação instavel no PL, qiue chegou ao fim (1)

Maior nome do bolsonarismo em Pernambuco, Gilson Machado Neto anunciou a sua saída do PL nesta quarta-feira (21), encerrando uma relação que nunca foi estável com o presidente estadual da legenda, Anderson Ferreira, marcada por desacertos, briga por protagonismo e muita desconfiança de lado a lado. As consequências eleitorais da saída do ex-ministro do Turismo de Jair Bolsonaro ainda são incertas, mas o primeiro abalo deverá ser nas chapas proporcionais para a Câmara Federal e à Assembleia Legislativa, que sofrerão baixa dos votos do bolsonarismo raiz.

Companheiros de chapa em 2022, Anderson (para o governo) e Gilson (para o Senado) ensaiaram pequenos armistícios desde aquele ano. Mas a cada movimento, uma crise. O anúncio do nome do deputado federal André Ferreira (irmão de Anderson) para comandar a campanha de Jair Bolsonaro no Nordeste foi um dos maiores desentendimentos. Gilson não gostou de ser excluído e bateu o pé e conseguiu que o comando fosse compartilhado, indicando o seu irmão, Carlos Eduardo, conhecido como Dudão, para dividir as atribuições.

Durante a campanha Gilson e Anderson caminharam juntos na pré-campanha, mas não por muito tempo. No final de julho, perto da convenção do PL que ratificaria os nomes, cada um seguiu o seu caminho. Poucos foram os atos em que cumpriram juntos. Esse distanciamento se refletiu no resultado eleitoral. Enquanto Gilson teve 1,32 milhão de votos, Anderson terminou em terceiro lugar, com 890.220. Se a campanha de ambos fosse casada, possivelmente Ferreira teria ido para o segundo turno.

Veio a eleição à Prefeitura do Recife, em 2024, e Gilson conseguiu construir o seu nome para disputar pelo PL, numa campanha que todos já consideravam natimorta pelo franco favoritismo do prefeito e candidatos à reeleição João Campos. Mas o candidato do PL foi às ruas e chegou em segundo lugar. Ou seja, o primeiro entre os últimos numa disputa que já começou definida.

A eleição chegou ao fim, mas as feridas ficaram escancaradas. Gilson denunciou que não recebeu o apoio financeiro combinado, acusou os ferreiras de não terem participado de nenhum ato de campanha e de terem boicotado a campanha. Ou seja, um poço sem fundo de mágoas. A relação que já era ruim, ficou insustentável.

Sem PL, Gilson busca outro caminho

Não havia outro caminho a seguir que não a troca de partido. Gilson já vem negociando o seu novo destino há meses. As conversas mais avançadas estão sendo travadas com o Podemos, num acordo que passa, inclusive, pela presidente nacional, Renata Abreu. Mas também dialoga com o Novo, que vem se transformando em um partido amigo do bolsonarismo, e, até, com o PSDB. Todos teriam garantido a vaga para disputar o Senado, mas de forma avulsa, sem o respaldo formal de candidatos ao governo. O Podemos está alinhado à governadora Raquel Lyra, enquanto o PSDB está com o prefeito João Campos. Ambos querem os votos do bolsonarismo, mas não o carimbo do movimento que Gilson representa. Mas pelo movimento que vem fazendo, Gilson pode tranquilamente disputar um mandato de deputado federal, com a possibilidade de reforçar fortemente a chapa do partido que ingressar.

Ao PL, resta recalcular a rota para 2026, depois de uma eleição municipal em que elegeu apenas dois prefeitos, tendo o maior fundo partidário entre as legendas. Anderson insiste em dizer que é candidato ao Senado. Há quatro anos sem mandato, no entanto, isso é muito difícil de ocorrer. O grupo Ferreira é muito pragmático para correr tanto risco.

Nos bastidores, há a informação de que os irmãos Anderson e André poderiam lançar mão de uma estratégia arriscada, de ambos disputarem cadeiras na Câmara Federal. Com a saída de Gilson, essa hipótese está praticamente seputaltada. A hipótese mais provável, atualmente, é que Anderson dispute uma vaga na Câmara Federal e André retorne à Assembleia Legislativa, como ocorreu em 2014. Seriam puxadores de votos e poderaim fazer bancadas mais robusta.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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