Raul Jungmann deixa o legado da articulação eficiente e da boa conversa

Raul Jungmann tinha boa articulação, inteligência estratégica e atuação forte em momentos decisivos da vida política brasileira

Um homem com bom trânsito em vários campos políticos, o ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18) e leva uma trajetória marcada pela excelente articulação política e excelência em contar causos.  A voz grave e profunda e o tom professoral, sisudo, utilizados nas entrevistas, eram o extremo oposto das conversas informais agradáveis, recheadas de informações e visão certeira da política pernambucana e, principalmente nacional.

Vereador, deputado federal, ministro, Raul Jungmann sempre teve metas ambiciosas. Tanto que, na campanha de 2004 para a Prefeitura do Recife, adotou o slogan “Pense Grande”. Não teve muito sucesso. Chegou em sexto. Ensaiou disputar novamente a Prefeitura do Recife, em 2008, pelo PPS, mas acabou saindo do páreo e apoiando Carlos Eduardo Cadoca.

Foi um dos principais nome no G8, o grupo de deputados que articulou o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O sucesso da empreitada o levou para o Ministério da Defesa de Michel Temer. Já havia ocupado pastas na Esplanada dos Ministérios. A primeira foi como ministro do Desenvolvimento Agrário e ministro extraordinário de Política Fundiária do governo FHC.

No tenso período que antecedeu o afastamento de Dilma, quando surgia os primeiros movimentos em que defendiam uma intervenção militar, costumava dizer que a saída para a crise institucional no Brasil tinha que ser e seria pela política.

Última conversa com Jungmann

A última vez que conversei com Raul Jungmann foi em 12 de novembro. No WhatsApp tinha uma chamada não atendida e uma palavra: “atende”. Queria conversar sobre a questão de segurança pública a partir da ação feita pela Polícia Militar do Rio no uma operação policial no Complexo da Penha e no Complexo do Alemão, 121 pessoas morreram. Disse que estava entrando em reunião e que retornaria a ligação em seguida. Não nos falamos mais.

O jornalista Reinaldo Azevedo resumiu bem quem foi Raul Jungmann, uma pessoa extremamente inteligente, bem-humorado e sempre muito bem-informado. “Morreu Raul Jungmann, uma das pessoas mais brilhantes que conheci. Éramos muito amigos desde 1996. Quando tudo parecia muito confuso, uma conversa com ele abria os caminhos da compreensão. Tinha lido tudo o que importa sobre teoria política e era dono de uma impressionante cultura literária. Era brilhante, agudo, generoso e engraçado.” Esse era Raul.  

Raul Jungmann será velado nesta segunda-feira (19), no cemitério Campo da Esperança, em Brasília (DF), a partir das 15h30. A cerimônia de velório e o sepultamento serão restritos à família e a amigos próximos.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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