Na Alepe, governo e oposição travam disputa sobre a educação em Pernambuco

A audiência com o secretário de Educação, Gilson Monteiro, lotou o auditório da Alepe Foto Roberto Soares Alepe

A Comissão de Administração da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) realizou nesta terça-feira (1º) audiência pública na qual expôs a disputa entre governo e oposição sobre a gestão da educação no estado. O secretário estadual da Educação, Gilson Monteiro Filho, foi questionado por parlamentares e representantes da comunidade escolar sobre atrasos na entrega de fardamentos e kits escolares, qualidade da merenda, infraestrutura das escolas e problemas no Programa Ganhe o Mundo.

Monteiro justificou os atrasos na distribuição dos kits escolares como resultado de entraves licitatórios e medidas cautelares do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Para contornar o problema, a gestão estadual optou por aquisição via Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). “Acreditamos que na primeira quinzena de abril, ou até o dia 20 no máximo, vamos conseguir fazer a entrega para toda a comunidade escolar”, afirmou o secretário.

Educação na mira da oposição

A audiência foi conduzida pelo deputado Waldemar Borges (PSB), que criticou as justificativas do secretário. “Se acatou uma medida cautelar, é porque alguma coisa errada devia estar existindo ali. O que não dá é para chegar aqui e elencar as razões por que a secretaria não está funcionando. Tem que fazer a secretaria funcionar”, afirmou o parlamentar.

Outro ponto de tensão foi a qualidade da merenda escolar. Monteiro explicou que os problemas se concentram na alimentação terceirizada, que atende 191 escolas (18% da rede estadual), e que a Secretaria pretende internalizar esse serviço. No entanto, a solução ainda depende da aquisição de equipamentos.

A climatização das salas de aula também gerou debate. Monteiro destacou que o governo estadual mais que dobrou a quantidade de escolas climatizadas, passando de 243 para 500 em dois anos. A oposição contestou a eficácia das ações. “O que os professores e alunos relatam é outra realidade. Ainda há um grande número de escolas sem estrutura para receber esses equipamentos”, ressaltou Borges.

Ganhe o Mundo contestado

O Programa Ganhe o Mundo, que oferece intercâmbio para alunos da rede pública, também foi alvo de questionamentos. Enquanto 200 alunos embarcaram para o Chile, cerca de 400 que deveriam viajar para Canadá e Estados Unidos enfrentam incertezas devido a problemas licitatórios.

“Quero identificar a possibilidade de contratação da empresa corretamente, para que a gente consiga mandar ainda no final de maio ou início de junho esses alunos para os Estados Unidos e o Canadá”, afirmou Monteiro. Waldemar Borges criticou a falta de planejamento. “Temos 400 estudantes que podem perder a oportunidade do intercâmbio porque completarão 18 anos antes da viagem. Como se deixa algo tão importante sem definição clara?”, questionou o deputado.

Ao fim da audiência, Borges reforçou que as críticas devem se converter em soluções concretas. “A educação do Estado precisa sair do discurso e entrar na prática. O governo tem que resolver esses problemas”, concluiu.

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SOBRE O EDITOR
Márcio Didier

Márcio Didier é jornalista, formado pela Universidade Católica de Pernambuco, com passagens pelo Jornal do Comércio, Blog da Folha e assessoria de comunicação

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